Repost: A Copa das Copas

Repost. Esse feito durante minhas viagens para acompanhar a Copa 2014

A Verdadeira Copa das Copas (12 de Junho de 2014)

Talvez nem a Nike tenha conseguido ser tão clichê, mas o fato é que tá rolando uma Copa do tamanho de um bonde aqui pros lados do Pelourinho. Ali no Terreiro de Jesus uma meia dúzia de desocupados resolveu ocupar o espaço com quatro carcaças de coco verde e rechear o miolo com um campo de futebol imaginário, com mais ginga que linhas divisórias.

Sei que é piegas e até um tanto Jeca, mas acabei ficando emocionado com a cena: Cada um dos times tinha mais idiomas diferentes que muitas sessões da ONU. Que eu consegui identificar, tinha alemão, argentino, mexicano, holandês, esloveno e, óbvio, os mendigos do Pelô, donos do campo e da bola.

Claramente ninguém ali se conhecia até pouco mais de meia hora. A coisa simplesmente aconteceu: Algum gringo mais abusado fez uma mímica pedindo pra jogar e pouco tempo depois já tínhamos essa seleção do mundo. Um monte de gente que antes só olhava, invejando os peloteiros, largou de vergonha e resolver gritar “próximo”, ou qualquer outra tradução que possa existir, mesmo que na linguagem dos sinais.

A mímica, aliás, era a coisa mais engraçada do jogo. Como ninguém ali fazia ideia do que o outro estava falando, a cada jogada polêmica era um festival de gritos incompreensíveis e muita gesticulação para dizer: Quem fizer, leva; Cinco jogadores de cada lado; Time A sem camisa, time B com camisa; Foi Pênalti! Não, foi fora da área (?!?!). O lance mais estranho foi quando eles ficaram uns cinco minutos discutindo se o goleiro espalmou por cima do travessão ou frangou vergonhosamente (lembrando que não existe, para olhos normais, nenhum travessão).

Mas no fim, tudo funcionava muito bem. A linguagem dos campinhos de improviso é mundial, não precisa passar na TV para compreender. É tudo no instinto de boleiro que mora em cada canto do planeta, e não só nas nossas vielas, como arrogantemente a gente vive pensando.

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Balé folclórico da Bahia

 

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Praia de Itapoã

 

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Pelourinho em jogo da Copa

 

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Pelourinho

 

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Farol da Barra

 

Repost: Viajar Sozinho

Mais um repost.

Conheci um@ menin@ que veio do Sul (27 de Setembro de 2014)

Nessa viagem o acaso me fez encontrar dois argentinos. Poderiam ser amigos, irmãos, primos, namorados… mas não se conheciam. Estavam a muitos km de distância, na vida e na história. Tinham a mesma idade, caminhos parecidos e destinos bem diferentes. E como “por força deste destino, um tango argentino me cai bem melhor que um blues”, aprendi mais um tanto com eles.

Com ele, dividi uma fila de 30 minutos e um hambúrguer num lugar disputado em Nova Yorque. Biólogo, Daniel visitava o estrangeiro pela primeira vez. Conhecia da política do mundo e discutia sua defesa de Cristina com a mesma passionalidade com que lamentava os rumos do seu “Independiente”. Estava ali para um congresso científico internacional e comemorava, discreta, merecida e humildemente, seu sucesso.

Com ela, dividi aquele por do sol da foto, que chamava a atenção justamente por não ser disputado. Nutricionista, Angelina comemorava a virada que deu no jogo da sua vida. Superou uma depressão que a levou a jogar para o alto a desesperança com o futuro portenho e se aventurar na crise europeia. Vende artesanato para turistas endinheirados nas ilhas canárias enquanto não homologam seu diploma universitário.

Viajar sozinho me tira as amarras de conhecer o outro. Acho que isso acontece com muita gente. Perde – se o medo de se achar ridículo, e se encontra caminhos curtos para iniciar uma conversa e beber um pouco da vida dos outros. E o fernet dos dois me inspirou um pouco por esses dias.

Antes do fim da viagem quero escrever um pouco mais sobre como é viajar sozinho. “Porque a vida só se dá pra quem se deu”, e estar na estrada solo nos deixa muito mais abertos a se dar.

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Torre dos Clérigos
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Sé do Porto
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Café Majestic
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Rua Santa Catarina
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Mosteiro Serra do Pilar