Repost: A lembrança de nossos erros

 

Monumento às burradas, babaquices e outras merdas. Nossos monstros de estimação. (30.10.2014)

Tenho pra mim que é muito importante a gente lembrar das merdas que fez na vida. E são tantas. Uma decisão tomada sem pensar; uma pessoa querida que a gente magoou; uma desistência precoce ou uma insistência insana… A gente tá sempre dando mancada com os outros e com a gente mesmo. Errar é natural e faz parte do processo. O que não se pode é jogar os erros pra debaixo do tapete. Os relatos de derrota têm que ter um lugar de destaque, na penteadeira, bem ao lado das fotografias de momentos felizes.

Não se trata de um raciocínio auto-destrutivo, mas um exercício de aprendizagem. Reler as decisões estúpidas ajuda a tomar posturas inteligentes. Conhecer as cagadas do passado é um jeito de minimizar as merdas do futuro. E isso não são palavras de auto ajuda: Sei que parece óbvio, mas acho que não é isso que a gente anda fazendo. Pelo menos não politicamente. Esses dias estava pensando coletivamente com uma amiga e acabei meio assustado com umas coisas.

Nós, tupis, guaranis, caiowás e brasileiros em geral, já temos pouco apego pelo passado. Poucos museus, poucos monumentos, pouco apego por construções históricas (que aqui e acolá vão ao chão sem grande cerimônia), poucos papos de bar sobre o que vivemos… Parece que não nos orgulhamos muito do caminho que nos trouxe até aqui. Mas muito menos viva é a memória das burrices da nossa história. Olhamos com vergonha para passagens assustadoras do nosso passado: Escravidão, Massacre Indígena, Guerra do Paraguai, Ditadura Militar, Carajás… Mas exercemos essa vergonha do jeito mais propício à repetição dos erros: tentamos esquecer.

Acho que poucos povos têm uma mancha histórica tão pesada como os Alemães. Mesmo assim, alguns campos de concentração são mantidos até hoje como ponto de visitação sádica: Veja a idiotice que o seu pai/avô fez; entenda o raciocínio equivocado guiou ele; não repita. É o sentimento que sinto falta por aqui. Não prego o ódio aos nossos antepassados, mas é importante saber que “sangue do nosso sangue” fez isso, e lembrar que somos passíveis de reforçar esses erros.

Por mim, deveríamos ter muitos memoriais em “homenagem” às vítimas de nossas barbáries. Muitas reproduções de senzalas, de paus de arara. Fazer nossas crianças chorarem um pouco por nosso passado. Não por sadismo, mas pra evitar o futuro. E também, é claro, para ficar mais fácil de mostrar que muitos desses sons do passado ainda ecoam no nosso presente.

Topografia do Terror
Topografia do Terror
Memorial do Holocausto
Memorial do Holocausto
Memorial do Holocausto
Memorial do Holocausto
Ilha dos museus
Ilha dos museus
Reichstag
Reichstag

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