Praia ou montanha? Os dois.

À exceção de alguns poucos programas no “pueblo”, meu turismo aqui em São Pedro (e o da maioria das pessoas) é centrado nos passeios oferecidos pelas dezenas de agências locais. Essencialmente, são tours guiados pelo deserto, mostrando a variedade absurda de paisagens que o lugar tem. Vou tentar, conforme for fazendo os passeios, traduzir um pouco nas imagens essa diversidade. O pacote com meia dúzia de tours (que você precisa de cerca de 5 dias pra fazer) custa U$ 300,00, aproximadamente.

O primeiro passeio que me aventurei foi à Laguna Cejar, e suas águas imensamente salgadas que teoricamente te impedem de afundar. A coisa mais espetacular da laguna é nadar tendo ao fundo as montanhas e vulcões, aproveitando para se esquivar da chuva de “pau de selfie” das pessoas ao seu lado. Tem um quê de farofa no ar, mas se você consegue chegar antes da hora de turistas (e eles sempre chegam juntos, na mesma hora) as paisagens são realmente impressionantes.

De lá para os Olhos do Salar, dois círculos idênticos (que ninguém explica direito a origem) no meio do deserto, cheios de água doce, bastante convidativos a um mergulho.

Por fim, o pôr do sol na Lagoa Tebinquinche, no qual as agências organizam uma espécie de “cocktail party” com pisco sour industrializado e alguns frios. A lagoa é repleta de pequenas trilhas que impedem o acesso dos visitantes às áreas de preservação, convidativas a um passeio romântico de fim de tarde.

Uma dica interessante: Não sei julgar outros quesitos, pois não foi a companhia que escolhi, mas a agência Grado Diez tem um caminhão bem interessante em que é possível subir no teto para ver o por do sol lá de cima. É uma vantagem competitiva pra quem gosta de se divertir com fotos.

Laguna Cejar
Laguna Cejar
Laguna Cejar
Laguna Cejar
Laguna Cejar
Laguna Cejar
Laguna Cejar
Laguna Cejar
Laguna Tebinquinche
Laguna Tebinquinche
Laguna Tebinquinche
Laguna Tebinquinche
Laguna Cejar
Laguna Cejar
Laguna Cejar
Laguna Cejar
Laguna Cejar
Laguna Cejar
Olhos do Salar
Olhos do Salar
Laguna Cejar
Laguna Cejar
Laguna Tebinquinche
Laguna Tebinquinche
Laguna Tebinquinche
Laguna Tebinquinche
Laguna Tebinquinche
Laguna Tebinquinche
Laguna Tebinquinche
Laguna Tebinquinche

Diários de bicicleta

A bem da verdade, fotografar com o celular não é a única reinvenção dessa viagem. A outra, porém, foi bastante programada. Como 2014 foi o ano que aprendi a andar de bicicleta, decidi que iria tentar experimentar algumas aventuras sobre rodas nessa primeira viagem. Por enquanto, tem sido melhor do que todo o esperado.

Como eu havia sonhado quando decidi aprender a andar, estar sobre rodas me abre algumas novas possibilidades. E em Atacama tem sido assim, podendo visitar lugares que são perto demais para um “tour guiado”, mas longe demais para ir a pé.

Hoje me enfiei numa auto-estrada e em algumas vias de terra batida, tentando ver com mais calma alguns pontos por onde o ônibus tinha passado na noite anterior. A paisagem lunar da estrada que liga Calama a São Pedro encanta pelas belezas e pelos detalhes. Ao longo da via, gigantescos reatores eólicos e milhares de postes com captação solar, as energias mais que abundantes no deserto chileno.

Entre uns e outros, algumas dezenas de memoriais às vítimas de acidentes de trânsito. Porém, ao contrário da sobriedade daqueles que vemos no Brasil, aqui os jazigos de alerta são bastante coloridos e invariavelmente acompanhados de uma bandeira chilena. Em alguns casos, descansa ali também o carro que levou o defunto embora.

Na entrada de São Pedro, uma quadra de tênis  de terra batida, construída de improviso como são de improviso nossos campos de futebol. Fiquei me perguntando se eles também faziam bola de meia pra jogar tênis. Andar de bicicleta me faz rir até das piadas sem graça que eu mesmo invento.

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No alto do morro, uma homenagem a João Paulo II
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Carabineiros – Siempre un amigo

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Quem não tem cão caça com Lhama

Ao que me parece, essa viagem será mais uma etapa do processo de reinvenção . Estava totalmente preparado para esta viagem: Comprei um tripé novo, um cartão de memória especial, mandei limpar as lentes e arranjei um disparador remoto. Tudo pra poder tirar as melhores fotos dos pores de sol e estrelas do Atacama. Infelizmente não vai ser dessa vez…

Mas estou encarando a toupeirice de ter esquecido o carregador muito mais pelo lado cômico da coisa que pelo trágico. É uma chance de reinventar meu processo de tirar fotos. Agora muito mais informal, menos técnico, com uma câmera simples de celular. Realmente gosto de guardar retratos, colecionar figurinhas dos lugares que vou e, no final, quem não tem cão caça com lhama.

Acho que no fundo isso tem tudo a ver com o que tá rolando, certo? Ter decidido parar no Atacama também foi um processo de reinvenção. Eu, menino amarelo de apartamento, nunca fui lá muito adepto de turismo natural. Encarar algo com menos “valor agregado” e mais “in natura” é uma descoberta curiosa.

Encare-se, pois. Se as fotos não serão tão boas, pelo menos a experiência será integralmente nova. E a desculpa para voltar ao deserto já existe: dessa vez, com o carregador.