O triste fim do Vicunhão

Passeio 2, Parte 2, Fauna dos Andes

O Passeio dos geiseres de Tatio (ao menos na agência Cosmo Andino que foi com quem contratei) não se resume aos fenômenos molhados. Depois do café da manhã e do banho no piscina termal, o motorista nos leva Andes abaixo, com inúmeras paradas no meio do caminho. Os descansos acontece, essencialmente, quando cruzamos com animais na estrada. Tempo para tirar fotos, admirar os bichos e seguir viagem.

A Fauna andina tem alguns tipos de “camelos”, o que inclui as Lhamas e um bicho que lembra um veado, as Vicunhas. Esse ser dócil, no fundo, é um malandro cruel e poligâmico, fadado a um destino melancólico. Cada bando é composto por um líder macho e seu harém (cerca de uma dezena de fêmeas), bem como as pequenas vicunhinhas.

Quando o pequeno Vicunha macho cresce o suficiente para deixar o bando, ele vai em busca do sonho do harém próprio, construído com sangue e turbação. A ideia é avançar em bandos sobre as outras matilhas, tentando roubar as fêmeas do rival. Essa batalha sangrenta tem uma consequência meio óbvia: mais cedo ou mais tarde, o Vicunhão não dá mais conta do recado e perde todas as suas fêmeas para os novatos.

No fim, as vicunhas macho morrem solitárias no meio do deserto.

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As Vicunhas
As Vicunhas

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Saindo do Cartoon

(Passeio 2, Parte 1, Tatio)

Geiser, pra mim, sempre foi algo de cartoon. Aquele monte de água que explode do chão de um jeito aleatório e põe pros ares os vilões do Pica-Pau. Era como a neve, as meias de natal ou o açúcar em cubos: esse monte de coisa que eu sempre achei que não existisse, que fosse criação de algum roteirista engraçado da Warner Brothers. O que é que há, velhinho?

Aí, ano passado, um amigo viajou para um país nórdico para ver, entre outras coisas, Geiseres. Fiquei cheio de curiosidade, tentando imaginar se tudo era tão caótico quanto nos desenhos animados. Se, de repente, você tá andando numa das ruas da Islândia e ele explode, como acontece normalmente com os bueiros aqui no Brasil.

Curiosidade matada. Em Atacama existe uma das maiores concentrações de geisers do mundo (na verdade, esse é o nome de uma das muitas formas desse fenômeno molhado), e saem tours diários de diversas operadoras para o meio do deserto, ver as águas rolarem.

Se não sofri com a aleatoriedade, sofri com o frio de -8ºC e o incômodo horário de acordar (4 da manhã). Mas o passeio valei a pena, especialmente pelo horário corujão. Chegar antes da horda de turistas é importante pra conseguir ver o fenômeno de verdade.

Nosso grupo, pequeno, tinha cerca de 8 pessoas, praticamente todos fotógrafos, o que gerou toda uma cumplicidade nas chatices do hobby: Sai da frente, espera um pouco, aguarda lá no carro que eu já vou…

Enfim, eis as fotos:

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Há piscinas termais e todos elogiaram bastante a temperatura da água...
Há piscinas termais e todos elogiaram bastante a temperatura da água…

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As companhias oferecem um café da manhã simples mas muito bem vindo durante o passeio.
As companhias oferecem um café da manhã simples mas muito bem vindo durante o passeio.
Chocolate quente: Um mimo essencial.
Chocolate quente: Um mimo essencial.
O sol nascendo no campo Tatio
O sol nascendo no campo Tatio

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