Quem acompanha minhas fotos há um pouco mais de tempo sabe que desde sempre existe um assunto que puxa minha atenção: O Casal. Mesmo apaixonado por viagens e tendo namorado por muito tempo com algumas pessoas muito especiais, a verdade é que raramente fiz viagens românticas. Talvez duas vezes com a primeira namorada, mais algumas poucas vezes com a última, e só. A agenda, o dinheiro ou a idade, estes nunca me foram lá muito generosos.
Mas nem por isso deixei de ver na viagem de par uma poesia. Uma mensagem de união em descobertas que é poderosíssima. Uma poesia ainda mais rítmica quando conseguimos deixar de lado toda a realidade e se concentrar só na fantasia do casal desconhecido.
O casal desconhecido que viaja é sempre perfeito, não tem desencontros, não tem frustrações. O casal estanque na foto é aquele desejo que temos de perfeição num relacionamento: a cumplicidade, o companheirismo, o compartilhamento de gostos e objetivos. Eles são íntegros, seguros, individualmente enormes, mas como casal gigantescos. São mais lindos que a própria paisagem.
E se assim não são, pior pra verdade. A nós sempre vai ser melhor fingir que são. Pois é isso que nos acende o desejo, e o direito, de também ser. De encontrar no nosso relacionamento presente, ou futuro, esse estágio de equilíbrio. De descobrir em nós o que falta pra ser elemento daquele conjunto tão sólido. E pra isso, o casal desconhecido nem precisa existir, quanto mais ser sólido.




