Costumo dizer que sou Ateu pra facilitar as coisas. Explicar minha relação com “Deus” talvez seja um tanto complexo pra família ou algumas pessoas dos meus círculos. Mas o fato é que não consigo desacreditar por completo.
Já fui católico, evangélico, flertei com algumas religiões orientais e tentei me envolver com as africanas. Mas, à exceção do tempo em que fui evangélico, nunca consegui me entregar verdadeiramente de coração a nenhuma dessas religiões. E religião é questão de realmente sentir. E mesmo nos meus tempos de protestante, houve um dia em que a ficha caiu e percebi que estava ali muito mais pelo carinho imenso que eu tinha por alguns amigos da igreja do que propriamente pela crença em Jesus. A ideia de um “caminho único” nunca me convenceu, e sempre me deu certa repulsa à doutrina cristã (apesar de todos os outros inúmeros e valiosos valores que eu acabei internalizando).
Mas mesmo sem efetivamente acreditar em nenhuma religião, toda vez que me deparo com algumas criações do “inexplicável” reafirmo uma certeza quase inabalável na existência de um algo por trás de tudo. No fundo, as religiões existem para explicar o que não conseguimos compreender, e cada vez mais parecem “dispensáveis” diante do avanço da ciência. Mas sempre chego a um ponto em que a mera explicação matemática já não me convence mais.
O Atacama tem sido uma reafirmação disso tudo. As rochas, as águas, os animais, as plantas… tudo se organiza daquela maneira arrebatadora, harmônica, de modo que não consigo aceitar que não exista um engenheiro por trás disso tudo.
Não acredito no Deus interventor, aquele que ouve nossas orações ou traz de volta a pessoa amada em 3 dias. Não acredito no Deus professor, que nos traz boas coisas se agirmos como fiéis cordeiros. Não acredito no Deus recompensador, que garante a vida eterna se seguirmos seus preceitos, ou no Deus cruel, que nos joga no poço profundo por toda eternidade se agirmos contra estas regras durante esse nossa curta passagem na criação.
Mas acredito em Algo. Alguém que projetou essa harmonia toda, e preservar a harmonia (seja em nossa relação com os outros ou com a natureza) é uma forma de agradecer o fato de existirmos. Mas sempre com aquele pé atrás, de quem sabe que a verdade pode estar até mesmo naquela pequena tribo da Polinésia, que não manja tanto assim de marketing.
Enfim, feliz natal pra vocês. Comemorem o nascimento de Jesus Cristo ou o que melhor lhes aprouver.



