Tá legal, eu aceito o argumento. Mas não me altere o samba tanto assim. Olha que a rapaziada está sentido a falta… Das conversas inesperadas com uma senhorinha no meio da rua, como aconteceu em Lisboa; Dos aprendizados com uma construção histórica, como aconteceu em Berlim; Das horas perdidas tomando café e lendo um livro, enquanto se ouve de canto de orelha as frustrações de um desconhecido, como aconteceu em Paris. Enfim: dessas coisas de gente.
Estou adorando o turismo entre montanhas, plantas e animais. Mas minha pegada de verdade ainda é ver gente e suas criações, que revelam no fim um monte de coisa sobre o seu criador. E assim tento espiar entre um passeio e outro, para além das onipresentes agências de viagem, a vida comum dos campesinos atacamenhos. O estilo pacato de andar na rua que se estende sob os olhos do vulcão. As crianças que parecem estar fantasiadas, mas na verdade vestem as cores das suas tradições. As senhoras, que parecem saídas de um filme indígena, com roupas e chapéus típicos.
Um aspecto bem curioso são os cães. A cidade é repleta de cachorros, a ponto de alguns a apelidarem de “San Perro do Atacama”. Muitos, grandes e gordos, que andam sujos pelas ruas de forma dócil e despreocupada. Alguns te seguem com as patas. Outros apenas com o olho. Uns, ainda, categoricamente ignoram sua presença (fazendo você ter que saltar quase três metros para entrar no restaurante). Oscilam, assim, entre o aspecto de cachorro sem dono e o de cão com todos os donos possíveis, já que toda a cidade parece ter um certo carinho pelos bichos.
Também encanta o lado religioso. A cidade tem muitas cruzes sobre as casas, feitas de barro e pedra, como que pedindo para que não desabem. E, além daquela procissão carnavalesca à Virgem de Guadalupe, vi também uma outra festa (estava sem câmera), provavelmente celebrando o natal, mas que reunia elementos de tantas cultuas que dificultava até acreditar que aquilo era uma celebração cristão: Tambores, pandeiros, danças ciganas coreografadas, muito colorido e, claro, a santa.
Ao contrário de outras cidades majoritariamente turísticas (como Bruges ou Praga), San Pedro parece não perder sua originalidade indígena. Diversas pequenas manifestações de cultura local surgem sem que um chapéu se estenda em busca de um trocado. No fundo, são manifestações sinceras de valor aos próprios hábitos, que não podem se perder em meio à maré de turistas. Viva Pachamama.




































