Que petchuga de pojio esquissita

Como o Caetano, “Gosta de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões”. Mas também a de Camus, de Neruda, de Dante, de Shakespeare e até, veja só, a de Paulo Coelho. Adoro os nós estranhos que a língua dá quando tento falar coisas em outros idiomas. Mesmo sem nunca ter tomado aulas de espanhol, alemão, japonês, chinês, em todas as viagens me aventurei a ensaiar algumas palavras básicas e, de vez em quando, até tentei me aprofundar em conversas mais longas.

Claro, quando a coisa fica séria eu tento ao máximo usar o inglês como ponte de conversação. Se eu quero ter certeza que me entenderam, não fico com firulas. Mas na hora de me divertir, “ah como é gostoso meu portunhol”. Amigos que já viajaram comigo riem dos erros bestas que eu cometo, de fazerem rir até o Luxemburgo, mas no fundo o esforço sempre arranca mais simpatia do que risos das pessoas com quem papeio.

Acho o espanhol especialmente divertido. Tanto na fonética quanto na semântica. Esses dias, cheguei a pensar em guardar um áudio do som ambiente de uma lanchonete em Punta Arenas. O cardápio era um só: Choripan com ou sem queijo e leche com plátano (sanduíche de linguiça e bananada). E a repetição frenética dessas palavras me fazia rir por dentro feito uma criança de vídeo do youtube. Choripan. Choripanes. Choriqueso. Queria aprisionar aqueles sons numa garrafinha, pra ouvir nas horas de mau humor.

A língua é um troço legal pra mim. Talvez por isso meu museu predileto em São Paulo seja o Museu da Língua Portuguesa, onde já fui como que 5 ou 6 vezes e sempre faço questão de levar as pessoas que gosto pra conhecer. Por isso às vezes sinto falta de uns museus parecidos pelo resto do mundo. Alguém conhece? Eu, sinceramente, nunca vi nada próximo. Nossa jabuticaba mais gostosa.

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