Uma história de sexo e missoshiro

Ontem um conhecido foi traído pelo algoritmo do Facebook, que mostrou pra timeline de todos os amigos dele que o rapaz tinha curtido o Xicosaniano Café Photo. Por conta da profissão dele, isso foi uma gafe um pouco mais grave, o que me fez ficar pensando em todo o moralismo que circula nossa relação pública com o sexo.

Talvez um dos pontos turísticos mais famosos de Amsterdan seja a Casa Rosso, no miolo do Red Light District. Uma cidade que se vende liberal e que não tem nenhum pudor de se assumir como um destino de turismo sexual. Um bairro onde praticamente não se vê holandeses, mas sim uma multidão de turistas que vão além do adolescente britânico e do moleque brasileiro. Gostando ou não, todo mundo acaba passando por lá.

A Casa Rosso é um teatro de shows de sexo ao vivo. Todas as noites se formam filas gigantescas na  porta pra ver… sexo ao vivo (sem nenhuma censura). Nem por isso a casa deixa de estar na lista do próprio governo holandês de lugares imperdíveis da cidade. Pelo que li, eles inclusive já tentaram criar uma sessão de matinê, mais erótica e menos explícita, mas a bilheteria acabou não vingando.

E essa piração atrai gente muito fora do óbvio. Quando fui conhecer a casa, acabei sentando ao lado de um casal de sexagenários japoneses (desses que não sabem falar um “A” em inglês). Eles assistiam tudo com a mesma estupefação com que entram no Parlamento Inglês ou na catedral de Notre Dame: “óoóóóóó”.

Acontece que ao contrário dos outros lugares, ali a regra é clara e bem cumprida: “No Photos!”. Não se pode arriscar fazer o que se faz nas igrejas e museus, sair disparando o obturador e só parar quando o segurança chega. Por isso, os Dityan e a Batyan, que tentaram “meter o louco”, acabaram sendo expulsos do teatro. A senhorinha sacou um “Game Boy” de última geração da bolsa e tentou filmar o amor alheio.

Parecendo não entender o que estava acontecendo, foram carregados pra fora da casa por dois brucutus que tinham o dobro da idade dele. E eu, que não tava vendo muita graça no que rolava no palco, ganhei a noite rindo deles.

Enfim, como diz aquela música do Chico, “Façamos, vamos amar”.

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