Já faz algumas semanas que venho conversando com amigos sobre ser feliz no trabalho. Quando disse a alguns amigos, ainda no Egito, que estava com saudades do meu trabalho, uns me deram por hipócrita, outros por louco. Mas penso, de verdade, que é muito difícil ter uma vida que valha a pena se o seu trabalho é um tormento pra você. Não só acho possível, como acho necessário que você se sinta minimamente satisfeito com seu “ganha pão” pra conseguir viver mais que sobreviver.
Falo isso porque pra mim a felicidade é como uma dessas marolinhas que nos vem molhar os pés quando caminhamos na beira do mar. É impossível fazer com que ela esteja sempre ali. Ela vem e vai, a toda hora. Traz uma concha com o gol do seu time, leva um chinelo com uma doença, te faz cócegas quando seu trabalho é reconhecido, te leva o castelo de areia com uma desilusão. Não acredito muito em quem é feliz em tempo integral.
Mas pra que a felicidade nos molhe os pés é preciso caminhar na orla. E se esconder da vida é um jeito de passear de carro na beira mar: viver um relacionamento que já não dá mais certo, cultivar hábitos por pressão da família, dedicar um terço (ou mais) do seu dia a uma tarefa que te consome são formas de manter os pés secos.
É tão importante ter visão e atitude. Saber enxergar o que vale e o que não vale a pena na vida, e ter coragem de abdicar do que nos faz mal. É muito difícil buscar a felicidade. Eu mesmo não me sinto realmente feliz há algum tempo. Mas continuo me sentindo satisfeito com o que sou, e acho que esse é o grande ponto: olhar pra si e saber que se é exatamente o que se quer ser. Encontrar sentido no que se faz. Isso é caminhar na areia, de pés descalços. Mais cedo ou mais tarde a marolinha chega.









