E assim começa a Coreia do Norte

Toda vez que contava a alguém que iria pra Coreia do Norte sempre ouvia coisas do tipo: Você está maluco? ou Mas é possível ir pra lá? No fim, a viagem foi uma das mais tranquilas que já fiz. O sistema rigidamente controlado de turismo no país, faz com que você não tenha que se preocupar com muita coisa, e os preços salgados dos pacotes incluem praticamente tudo o que você precisa na viagem. Por fora, só mesmo as baratas cervejas coreanas.

As restrições são um tanto quanto bufônicas. Câmeras são permitidas, desde que não tenham GPS. A minha tem, mas eu removi o GPS com uma moeda (raspando o símbolo da lateral) e funcionou perfeitamente bem =) Eles checam aleatoriamente algumas pessoas no demorado processo de imigração (2 horas), o que gera situações um tanto cômicas, como o “técnico de informática” do exército deles que não sabe direito usar computadores, ou o filme do South Park que foi acidentalmente aberto no último volume em uma das inspeções.

Há duas opções de transporte para chegar ao país comunista: Trem (24 horas em um vagão leito, com uma troca na fronteira) ou avião. Fiquei com a primeira pra preservar o orçamento e não me arrependi. A cama é razoavelmente confortável, o que faz a diferença de tempo, no final, não ser tão relevante. De sobra, a oportunidade de acompanhar cenas de um cotidiano chinês muito peculiar, já que a grande maioria das pessoas do trem, especialmente no trecho para a fronteira, são chineses que não têm dinheiro para passagem de avião.

Não gosto muito de viagens com agência. Mas uma das coisas mais interessantes sobre esse passeio é que o estereótipo padrão de quem o toma é realmente empolgante: Praticamente ninguém ali conhecia menos de 3 continentes ou 10 países. Todos muito viajados e cheios de dicas interessantes pra trocar, além de um interessantíssimo background cultural. Um administrador Francês que trabalhou alguns anos na Guiné Equatorial. Um militar italiano que tinha como sonho abrir uma loja de sorvetes em algum lugar do mundo. Uma tímida e estilosa thailandesa formada em turismo. Muitos, muitos britânicos, coincidentemente trabalhando com Economia ou Finanças. Se a comunicação com os coreanos em si era rareada e sempre um tanto atravancada, as conversas no bar e no ônibus eram sempre muito rentáveis.

Os passeios, no geral, são bastante intensos. Chegamos à conclusão que a intenção é clara: deixar você tão cansado que você não tem vontade de sair do hotel à noite: Você acorda 6 da manhã, volta pro hotel 9 da noite… Alguns caras do tour, com um pouco mais de energia, tentaram dar uma escapada à noite e acabaram pegos por um pessoal da agência estatal de viagens. Sorte deles, tivesse sido a polícia local, provavelmente teriam sido imediatamente deportados, senão pior…

Mas falo um pouco mais dos passeios em outro post.

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