Uma ditadura caricata

Toda ditadura é assustadora. Não importa de que lado ela esteja. Mas algumas, apesar de repulsivas, podem ser também caricatas.

Ao vivo, a Coreia do Norte é ainda mais estereotipada do que eu imaginava. Nas ruas, é comum ver pessoas reunidas nas praças pra cantar músicas de amor aos grandes líderes (Avô e pai do atual presidente). Por hábito, todos se curvam ao estar de frente a uma de suas estátuas e, regularmente, oferecem flores aos grandes heróis da nação.

Uma das visitas que fizemos com o tour foi ao mausoléu onde estão em exposição os corpos embalsamados dos grandes líderes. Infelizmente, lá dentro não se pode sequer entrar com câmera. Por isso, não foi possível fotografar nem os corpos que estão solenemente deitados dentro de uma cúpula de vidro (cada um com sua sala), à espera de três saudações de cada um dos visitantes (tem que se curvar na frente do corpo, à esquerda e à direita. Nunca nas suas costas), nem mesmo as gigantescas (algo como que 10 metros de altura) estátuas de cera dos dois Kim. Ao longo dos infinitos corredores, centenas de quadros mostram os líderes, ainda vivos, dando a vida por seu povo.

Mesmo as estações e composições do Metrô estão repletas de fotos e estátuas, além dos gratuitos jornais que trazem as últimas notícias do dia-a-dia do atual presidente. No circo de Pyongyang (um espetáculo sensacional), cada movimento acrobático é seguido de imagens que mostram a bravura do povo Coreano, guiado por seus grandes líderes. No boliche, principal diversão dos jovens de lá, uma imensa placa deixa um recado à juventude: Vamos levar adiante as mensagens dos grandes líderes.

A lavagem cerebral é completada num dos museus mais impressionantes que já visitei: O museu da guerra da Coreia. Ali, diversos artefatos são expostos, ao lado de representações bastante realistas de como os malditos imperialistas maltrataram os pais e avós das crianças que visitam o museu. Por tudo isso, não é de se estranhar que cada cidadão coreano estampe com orgulho no peito as fotos (sim TODOS têm um broche) dos grandes líderes.

É por isso que eu acho uma grande boçalidade odiar os norte coreanos. Eles foram condicionados a pensar o que pensam, desde muito pequenos. São pessoas (ao menos as que eu conheci) boas, em muito ingênuas, mas infelizmente dominadas por uma casta de lunáticos.

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7×1, pra nós

Segundo a nova tradição, também fiz um passeio de bike quando cheguei em Pequim. Segui um tour e fomos pedalando por entre os Hutongs ao redor da cidade proibida, conhecendo um pouco dos lagos antes que as multidões ocupassem eles à noite. O passei em si foi bem bacana, mas a cena que eu vou guardar veio um pouco depois. Ao final do passeio, a guia nos levou pra almoçar em uma instituição que cuida de jovens com necessidades especiais, auxiliando a inseri-los na sociedade por meio de pequenos trabalhos e atividades.

Quando cheguei, os olhares de estranhamento com o estrangeiro foram ainda mais sinceros e escancarados que o normal. Os assistidos queriam tocar, falar e conhecer o diferente, tentando (em chinês) me fazer perguntas. Uma das primeiras: De onde você vem. Uma das poucas palavras que aprendi em Chinês: Ba Si. O lugar virou um estádio de futebol em comemoração de gol. De boca em boca os mais próximos gritavam pros mais distantes, pros que estavam em outras salas, pros que estavam na rua: Ba Si. Na cabeça deles, o Brasil é uma terra fantástica onde todos jogam futebol da hora que acordam à hora que dormem.

Em outra proporção, já tinha acontecido na imigração da Coreia do Norte. O processo de investigação é quase inquisitorial, com guardas sisudos e brutos que recolhem passaportes e formulários, enquanto vasculham sua mala. Nesse ambiente hostil, quando o fiscal pegou meu passaporte viu: Brasil. A testa franzida se desfez e se abriu, ainda que por poucos segundos, em um sorriso largo enquanto dizia: Brazil.

Na Ásia, não é comum vermos camisas de futebol de outros países (nem mesmo de times). Ao menos nos países que visitei até agora. Mas é fantástico como a canário sempre aparece, invariavelmente (Aqui na China, com a incômoda concorrência da Argentina… mas em menor escala).  Isso ainda deve levar um tempo (e muitos 7 a 1) pra mudar. E fico feliz que essa é a nossa maior embaixadora, ao lado do Carnaval e da liberdade sexual.

Temos um estereótipo que não trocaria por nenhum outro do mundo. Um estereótipo que arranca sorrisos, músicas, danças desengonçadas ou, pelo menos, um invariável “Cooool”. E isso devia nos encher de orgulho.

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O que já comi de estranho por essas bandas

Por essa eu não esperava, mas a viagem tem sido um bocado gastronômica. Talvez aquela primeira aventura na Malásia tenha aberto as portas do preconceito e me liberado pra comer toda sorte de coisa estranha, sem medo de intoxicação alimentar.

Tudo somado, nessa rodada já comi: Hambúrguer de burro, “Ovo preto”, sopa de cachorro, “noodles” gelado, o famoso pato de Pequim e um bocado de coisas apimentadas. Noves fora, nada que me fizesse morrer de amores (tirando o Hambúrguer de burro, que é realmente bom). Mas também não fiquei com muito nojo de nada que eu experimentei. No fim, é tudo comida.

E chama atenção o fato de os asiáticos comerem praticamente tudo sem muito nojo. Não sei se são os tempos de guerra ou qualquer outra coisa na filosofia deles, as o fato é que não é comum eles desperdiçarem nada. Muitos pratos são feitos com partes de animais que dificilmente comemos (pés, pescoço, alguns órgãos internos…

Tem também uma certa cultura do bicho fresco. Nos mercados mais locais (e até em algumas redes do tipo Carrefour) não é difícil encontrar aquários com diversos animais vivos, como peixes, cobras, tartarugas e insetos em geral (o mais estranho pra mim, bicho da seda).

Diversas coisas que vão continuar fora do meu cardápio, mas que acho uma experiência interessante experimentar.

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Os guerreiros de Terracota

Aí que um dia uns chineses foram pro campo, tentar fugir de tanto Chinês. Quando eles tavam perfurando um poço pra caçar água, adivinha o que eles acharam? Sim, um monte de Chinês!!

Verdades à parte, é engraçado como são as referências culturais de cada um. Eu via os guerreiros de Terracota e imaginava uma bateria de escola de samba…

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