Segundo a nova tradição, também fiz um passeio de bike quando cheguei em Pequim. Segui um tour e fomos pedalando por entre os Hutongs ao redor da cidade proibida, conhecendo um pouco dos lagos antes que as multidões ocupassem eles à noite. O passei em si foi bem bacana, mas a cena que eu vou guardar veio um pouco depois. Ao final do passeio, a guia nos levou pra almoçar em uma instituição que cuida de jovens com necessidades especiais, auxiliando a inseri-los na sociedade por meio de pequenos trabalhos e atividades.
Quando cheguei, os olhares de estranhamento com o estrangeiro foram ainda mais sinceros e escancarados que o normal. Os assistidos queriam tocar, falar e conhecer o diferente, tentando (em chinês) me fazer perguntas. Uma das primeiras: De onde você vem. Uma das poucas palavras que aprendi em Chinês: Ba Si. O lugar virou um estádio de futebol em comemoração de gol. De boca em boca os mais próximos gritavam pros mais distantes, pros que estavam em outras salas, pros que estavam na rua: Ba Si. Na cabeça deles, o Brasil é uma terra fantástica onde todos jogam futebol da hora que acordam à hora que dormem.
Em outra proporção, já tinha acontecido na imigração da Coreia do Norte. O processo de investigação é quase inquisitorial, com guardas sisudos e brutos que recolhem passaportes e formulários, enquanto vasculham sua mala. Nesse ambiente hostil, quando o fiscal pegou meu passaporte viu: Brasil. A testa franzida se desfez e se abriu, ainda que por poucos segundos, em um sorriso largo enquanto dizia: Brazil.
Na Ásia, não é comum vermos camisas de futebol de outros países (nem mesmo de times). Ao menos nos países que visitei até agora. Mas é fantástico como a canário sempre aparece, invariavelmente (Aqui na China, com a incômoda concorrência da Argentina… mas em menor escala). Isso ainda deve levar um tempo (e muitos 7 a 1) pra mudar. E fico feliz que essa é a nossa maior embaixadora, ao lado do Carnaval e da liberdade sexual.
Temos um estereótipo que não trocaria por nenhum outro do mundo. Um estereótipo que arranca sorrisos, músicas, danças desengonçadas ou, pelo menos, um invariável “Cooool”. E isso devia nos encher de orgulho.









