A história da minha tatuagem, a Porta-Bandeira.

Ela está prestes a fazer oito anos e está sempre comigo, mas muitos nunca a viram. Minha filha, a tatuagem que tenho na perna, nunca tinha sido fotografada, até esse fim de semana. Achei que tava na hora de mostrar e contar a história dela por aqui.

Tatuagem pra mim não faz sentido se for por mera decoração. Tem de ser algo que te marque, que te signifique, e por isso levei cerca de um ano para decidir fazer minha porta bandeira.

A tatuagem é uma homenagem à beleza da dança da porta bandeira, uma figura que tem (ao lado do mestre sala) a função de proteger o símbolo maior da escola, o Pavilhão. Ambos, figuras de guerra, têm de cumprir sua função com raça e força. Ambos, figuras de dança, têm que cumprir sua função com sorriso e poesia. Esse aspecto de Raça e Poesia eu vi pela primeira vez em uma epifania, antes mesmo de entrar de cabeça nesse universo, quando vi a Adriana Gomes dançando na quadra do Mocidade Alegre. Não sabia quem ela era, nem o nome gigantesco que ela já tinha no Samba. Eu era um turista do Samba naquele tempo e fiquei arrebatado pelo jeito leve e vigoroso com que ela dançava. Esse é o primeiro significado da tatuagem: Raça e Poesia, a frase que trago escrita na tatuagem. Ou “Hay que endurecer pero sin perder la ternura”, certo?

Um tempo depois, quando resolvi me inscrever numa escola de bateria (minha porta de entrada nesse universo), conheci a Sara Regina. Ela estava começando, como eu, mas visando aquela que, pra mim, é a mais linda das funções: a de porta bandeira. Como ela tinha cerca de 8 anos, não foi bem a sua dança que me chamou a atenção naquele tempo. Isso viria a realmente me encher os olhos anos depois. Mas naquela hora o que me encantava era sua mãe, a Sandra Regina. A dedicação, a entrega e a projeção que eu via da mãe em relação à filha me fez marejar algumas vezes ao longo da vida. Um tanto por elas e um tanto por ver naquela devoção o mesmo carinho que me faz amar tanto a minha própria mãe: Uma pessoa que sempre se empenhou para me entregar todo o amor, compreensão e carinho, em todas as pequenas e grandes decisões da minha vida. E a figura da mãe é o segundo significado da minha tatuagem.

Além desses, há todos os outros significados mais laterais e até óbvios: Minha paixão pelo carnaval, minha ligação com a cultura popular, como isso me marcou quer durante a faculdade quer nas minhas decisões de vida da vida “adulta”, todas as pessoas admiráveis que encontrei nesse meio, quer exercendo a função maior, quer ocupando outras tantas posições nesse universo…

Enfim, essa é a história da minha primeira tatuagem. A segunda vem aí, assim que eu atingir uma meta de vida que tenho buscado: Conhecer um país para cada ano de vida que eu tiver. Tudo correndo bem, até o começo do ano que vem atingirei essa meta. Aí vem outra história, outra arte, outro desejo, e… quem sabe… outra fotografia.

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