Dor de corno

Hoje tirei o dia para fazer um daqueles programas de índio que justificam eu viajar sozinho. Ao invés de ir a algum programa turístico tradicional, tirei a tarde para caminhar ao longo da marginal Tietê deles, o rio Han. Cerca de 20 Km de caminhada, que fiz em pouco mais de 4 horas, parando para comer, descansar, fotografar etc. E ao longo de todo trajeto, só uma coisa me doía mais que as já enormes bolhas nos pés: a dor de corno.

Seul, como diversas cidades do mundo, conseguiu transformar seu rio em um lugar de convivência. Todos os dias, algumas milhares de pessoas usam o espaço pra correr, andar de bicicleta, se exercitar nas academias públicas ou, simplesmente, usar como espaço aberto (e gratuito) a ser compartilhado com os amigos. Jovens estudantes, executivos em final de expediente, casais de jovens e idosos… muita gente que aproveita ali uma diversão simples, frugal e saudável (física e mentalmente).

Viajar faz a gente ver as tantas formas como a vida pode ser diferente, pro bem e pro mal. Um metrô que tem muito mais linhas que o nosso (Paris), uma gente que não consegue ser reciprocamente gentil (Pequim), um clima ridiculamente frio com poucos dias de sol por ano (Londres), uma rede de ciclovias de fazer nossa cidade parecer uma piada (Singapura). No mais das vezes, coisas que me fazem ter uma certa tristeza por tudo que a gente podia ser e não é.

Sou um apaixonado pelo Brasil e não trocaria minha cidade por nenhuma outra. Não acho nenhum dos outros lugares melhores que minha terra. Mas fico pensando em tudo que podia ser diferente: Quantos sambas poderiam ser compostos na beira de um rio despoluído, quantas horas de uma vida mais vivida poderiam existir se as pessoas não perdessem 3 horas por dia dentro de seus carros; enfim, quanta brasilidade desperdiçada por uma São Paulo tão complicada no uso do espaço público.

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