Todo mundo odeia telemarketing. Você odeia receber ligações inconvenientes no meio do dia. Eu odeio a ineficiência de alguns atendentes. Ele odeia o modo como o sistema é desenhado para não satisfazer a nossa necessidade. E, principalmente, eles odeiam o que fazem.
Não é pra menos. Quem tem a oportunidade de conhecer por dentro essa máquina de maldades, consegue ter um pouco de empatia com a Judite. Assédio moral dos supervisores. Restrições absurdas ao uso de banheiros. Condições de higiene ruins em refeitórios. E até você, amigo irritado, faz parte do inferno que é ser operador de telemarketing. É difícil mesmo ser simpático.
Mas no meio dessas pedras brutas, também surgem algumas flores. Do lado de casa tem uma empresa grande de Telemarketing. Na porta, o Seu Neves (foto) vende cafés, chás e bolos, a preços camaradas. Some-se a isso o fato de os atendentes não poderem fazer seus intervalos de descanso todos ao mesmo tempo (motivos óbvios), e nasceu ali uma prática das mais simpáticas.
O Roberto queria pagar um café pra Rosângela, mas não podiam fazer intervalo no mesmo horário. O que fez? Deixou um café pago e a Rosângela foi supreendida com seu nome na lousa: Tem um café pago pra você. Um correio elegante da cafeína.
A prática cresceu, virou moda, até que começaram a surgir os “Cafés de ninguém”. Você tomou um café e quer deixar um café pago pra outra pessoa? Não tem pra quem pagar um café? Deixe um café pago para um desconhecido. Tá sem um tostão no bolso e tá louco pra tomar um café? Passe no seu Neves e veja a lousa: Se estiver marcado ali um café compartilhado, você toma o seu de graça. De graça não, pela graça de outra pessoa.
Simples, simpático e animador.
Deixei um chá pago pra você. Passa lá.