Conhecendo com o Estômago

Tem um poeta que diz: “Não quero dizer que viajar é só comer. Mas comer é viajar. É saber encontrar”, ou mais ou menos isso. Pois bem, como já disse outra vez, comer é uma das partes mais importantes de qualquer viagem minha. Fecho os punhos pra hotéis caros. Viro a cara pra lojas de souvenirs e outras “barganhas” de viagem. Mas quando o assunto é encher a pança, meu amigo, não me faço de rogado. Cada um tem suas preferências de viagem, certo?

Na Malásia, fiz pela primeira vez um tour gastronômico fora do Brasil (antes já tinha feito o tour fantástico do pessoal do Savor São Paulo, que sempre recomendo pra turistas e locais). A ideia lá era um tanto diferente: um passeio pela baixa gastronomia de Kuala Lumpur. Restaurantes simples e barraquinha de rua que fazem parte do menu diário dos trabalhadores de lá, mas que servem comida de primeira classe.

Não se trata de comer esquisitices. Nada ali descambava pro grotesco, como cachorro, tartaruga, escorpião. A ideia, mal traduzindo, seria como levar os turistas pra comer coxinha, tapioca e pastel de feira pelas ruas de SP. Com a diferença de que a cultura de comida de rua pelas bandas de lá é bem mais desenvolvida.

Pois bem, a Malásia é predominantemente povoada por dois grupos: os Indianos e os Chineses. O passeio foca nesses dois grupos. Aprendi a comer com a mão, visitei alguns mercados locais, me apaixonei por uma raspadinha de leite de coco e geleia de flor de arroz, e, no fim, compartilhamos um bocado de risadas num grupo de pessoas curiosas por gastronomia.

Aprendi mais sobre a Malásia com a língua e o estômago que tinha aprendido até então nas letras frias da wikipedia. E, pra melhorar, ainda saí “triste de tanto comer”. Vale, não vale?

Sobre cartórios, moteis e outras jabuticabas

Uma amiga americana me disse que essa coisa de “reconhecer firma” é mais uma das nossas jabuticabas, coisas que só existem no País do Futebol. Achei engraçado, como acho engraçado sermos o único país em que as pessoas não pedem mais pra você assinar o recibo do cartão de crédito (O que é bem lógico, certo? Você já digitou sua senha). No fundo, são variações de uma mesma coisa: Assinatura é algo para o que nós não damos a mínima.

Gosto de ficar observando os países em busca de coisas que são peculiaridades nossas. Guaraná é outro clássico, além do mais gostoso dos queijos: Catupiry! Uma amiga colombiana também me disse que em tudo nós pomos farofa, essa brasilidade em pó. E a mandioca, que é um vegetal que existe em outros países, em nenhum lugar é tão bem aproveitado como do lado de cá.

No Panamá finalmente encontrei algo que até então só havia visto no Brasil: O bom e velho “hotel adulto”, vulgo motelzinho (ou SPA como duas ex-namoradas eufemizavam o lugar). E, sendo nascido e criado em Pindorama, não consigo entender porque não existe isso mundo a fora. Como fazem os filhos que vivem com os pais e os pais que vivem com os filhos? Como acontecem as escapadas em meio de expediente com a colega de trabalho?

O mundo é cheio de mistérios. No Panamá, pelo menos, não existe esse problema.