O chapéu de turista e a segurança em países latino-americanos

Viajar por países latino-americanos sempre trás à tona a velha questão da segurança. Violência, golpes, malandragens… Uma infinidade de artifícios pra sacanear a vida do turista. Pois bem, com a Colômbia já são 10 diferentes países latinos, sem nunca ter sido vítima de qualquer golpe. Dizem por aí que é muito importante pra sua proteção que você se misture na multidão, que não pareça um turista. Pois eu já acho exatamente o contrário.

Quem defende que você tente se camuflar parte de uma premissa que, pra mim, está em cada aspecto da nossa vida: o medo em excesso. Talvez por influência da TV, talvez pelo golpe traumático que uma experiência pontual pode ter nos causado, estamos a todo momento com medo de ser de qualquer forma violentados. Pois eu afirmo, sem medo de errar, que para cada pessoa com más intenções, existem pelo menos outras 100 almas boas dispostas a ajudar. E é por isso que tento sempre deixar muito clara a minha condição de turista.

Primeiro porque, vamos cair na real, é impossível se passar por um local. Caminhe qualquer dia pelas areias de Copacabana ou pelas ruas da Vila Madalena. Você identifica um “gringo” (de qualquer nacionalidade) a Kms de distância. Pelo jeito de andar, de se vestir, cor de pele… É sempre muito simples descobrir quem é o elemento fora do conjunto. E você (espero) nem é um experiente ladrão/golpista. Imagina eles, profissionais do ramo, como conseguem encontrar fácil suas presas?

Pois bem, partindo da premissa que é muito fácil que um golpista te encontre, a estratégia mais segura é garantir que os outros 100 ajudem a te proteger. E deixar claro, até para um desatento, que você é uma presa indefesa, pode criar neles justamente esse espírito de proteção. Eu, pessoalmente, fico muito triste quando ouço histórias negativas sobre o meu País. E tenho certeza que os Colombianos, Argentinos, Mexicanos etc. também. Somos todos vítimas do mesmo estereótipo negativo. Por isso, sempre que posso/vejo alguém numa situação de necessidade turística, tento ajudar… indicando caminhos mais seguros, restaurantes de comida higiênica, modos mais fáceis/baratos de se locomover… Enfim, muitas coisas que acabam fazendo por mim também durante minhas perambulações. Óbvio que minha aceitação a essas dicas também é sempre com alguma ressalva… há que se ter um mínimo de malícia nos gestos… mas na maior parte das vezes, me sinto seguro para seguir as dicas que recebo.

Além disso, há toda uma hospitalidade latina que não existe nos outros países. Talvez por recebermos menos turistas que outras regiões, nos sentimos orgulhosos ao ver um turista em visita. Por isso, nos esforçamos a fazê-los se sentir acolhidos e a perceber o quão linda é a nossa terra. Isso rende conversas agradáveis, recomendações únicas e experiências muito mais locais que os grandes guias.

A receita, então, acaba sendo muito simples. Um pouco de esperteza, inteligência para evitar lugares vazios e tentar buscar a empatia das pessoas. Isso rende amigos, risadas e ainda ajuda a garantir sua segurança.

IMG_3938DSC01240DSC01209-EditarDSC01192DSC01188DSC01181DSC01179DSC01171DSC01167DSC01162DSC01146DSC01297-HDRDSC01017DSC00967DSC00949DSC00948DSC00943