Abro essas páginas azuis entre um e outro gole de café e invariavelmente encontro alguma certeza. Alguma segurança categórica sobre política, o último filme do Woody, os rumos do carnaval de São Paulo ou o meio campo do Corinthians. Muitos dos meus colegas cravam revisões fundamentadas do passado, e profecias consistentes sobre o futuro. Tudo tão sem medo. Como eu invejo essas coragens….
Faz um ano que vi “Últimas Conversas” do Eduardo Coutinho. Um filme que fala sobre ter pelos seus 16 anos, aquela coisa estranha que já não é infância, mas que a vida mostra ser a mais imatura das fases da vida. E pelo fim do filme eu me vi em um garoto. Eu, que aos 16 sentava com aquela pose, argumentava com aquela classe, gesticulava com aquelas mãos e tinha as mais genuínas garantias. Sobre tudo. Hoje, acho que discordo de quase tudo o que aquele Judson dizia. E tenho menos vergonha dele do que ele teria de mim.
Porque isso não é uma crítica à arrogância. É um elogio à coragem. À coragem de quem, depois dos 30, ainda tem a firmeza de defender uma opinião, qualquer opinião. Hoje, que claramente tenho mais experiência, mais informação, mais malícia e, principalmente, mais espaço pra expor minhas ideias… já me faltam certezas. Tudo é um imenso talvez, recheado dessa insegurança em compartilhar meus quiçás.
Aprendi a gostar da ostentação alheia (Gostar da própria é bastante fácil. Difícil é ver valor na dos outros). Essa coisa de mostrar pro mundo as coisas de que gostamos e as qualidades que gastamos tempo cultivando. O maluco que quer mostrar o carro do ano que ele trabalhou muito pra comprar. A menina que tira selfie no espelho da balada pra mostrar como ela se vê linda. A foto da capa da tese de douturado… A gente quer (e tem direito) de celebrar nossas conquistas. E acho especialmente empolgante acompanhar aqueles que conquistaram uma certeza, qualquer certeza, esse tesouro mais difícil que a tese, o carro e as formas.












