Quarto dia começou com dança.
Bali tem uma infinidade de danças diferentes no seu repertório cultural. Entre as mais importantes estão o Barong, uma dança que representa a luta entre o bem e o mal, o Legong, aquela dança tradicional balinesa, com muitos movimentos de dedos e olhos, o kekak, feito com fogo e roupas tribais, e o teatro de sombras (que também funciona tal qual uma dança).
Encontrar lugares que apresentam essas danças não é nada difícil. Pelo contrário, caminhar pelas ruas de Ubud no entardecer é certeza de tentarem de empurrar um dos muitos espetáculos que acontecem nos templos e palácios de lá. Mas eu não queria cair numa dessas muitas armadilhas de turista. Pesquisei um bocado pra tentar achar os mais tradicionais de cada estilo, e foi assim que cheguei na seguinte lista: Barong em Balutan, Legong em Peliatan, Kekak em Uluwatur.
Pois bem, a escolha do Barong em Balutan foi um tanto fotográfica. Como era o único grupo tradicional que se apresentava de dia (hora melhor pra fotos) optei por ver o espetáculo deles. Achei bom, mas não mais que isso. Alguns trechos pareciam descambar demais pro pastelão, o que não me pareceu estar na origem da dança (que é quase religiosa). Mas a experiência é interessante.
Partimos dali pra Seminyaki, praia famosa de Bali. Originalmente eu passaria dois dias nessa praia, me hospedando ali na última noite de viagem. Mas descobri que no último dia da minha programação haveria uma cerimônia especial de cremação de um membro da família real de Ubud. Como é um evento bastante singular (o último foi há dois anos atrás, o próximo só Shiva sabe), achei que podia deixar a praia de fora do meu roteiro.
Para não ficar completamente alheio às praias de Bali, incluí uma tarde em Seminyaki no meu roteiro. Serviu pra eu ter certeza que fiz a escolha certa: Não consegui ver nada demais nas praias do sul de Bali. Praias comuns, sem charme, lotadas de turistas e expatriados. Nada que traga identidade pro lugar…
Partimos dali pra Uluwatur, o último dos 5 templos principais que queria conhecer. Aproveitei pra conhecer o trânsito infernal de Bali…
Como queria ver o show de Kekak de uluwatur, que acontece às 18h, saí de Seminyaki 2:30 da tarde, já que o google apontava um tempo de trânsito de 1:30. Chegando às 16h, teria tempo suficiente de conhecer o templo, comprar ingressos pra dança, fotografar o por do sol, assistir a dança… enfim, tudo muito bem planejado. Faltou combinar com os outros milhares de turistas que foram pra Uluwatur naquele dia, se espremendo na estrada de pista única que leva ao templo.
Demoramos 3:30 para chegar a Uluwatur. resultado, não consegui conhecer o templo e ainda, de quebra, acabaram os ingressos pra dança. Com muita insistência (e propina) acabei conseguindo entrar para os 20 minutos finais do espetáculo, só pra não passar completamente em branco… Mas como já tinha escurecido, perdi o maior charme da coisa que é a apresentação sincronizada com o por do sol.
De todo modo, pude ver um dos pores de sol mais bonitos da viagem, acompanhado dos agressivos macacos do templo. E os macacos aqui merecem um parágrafo à parte.
Os macacos de Uluwatur aprenderam a arte da extorsão. Já tinha lido que eles roubavam itens pessoais e trocavam por comida, mas achei que fosse lenda. Pois bem, lá chegando pude ver que não apenas é verdade como também os macacos aprenderam o valor das coisas. Por exemplo, um deles roubou uma garrafa d’água e trocou por um punhado de amendoins. O mesmo macaco, minutos depois, roubou os óculos de um chinês. Oferecido o mesmo punhado, o macaco recusou, e só trocou por um pacote bem grande da sua comida.
Câmera firme na mão, bolsos muito bem fechados, é possível tirar curtir um por do sol fantástico lá de cima.
Uluwatur significa templo do alto, e tem esse nome porque o templo, em si, fica na ponta de um penhasco imenso, criando uma passagem bastante cênica. A dança do Kekak acontece na outra ponta da costa, aproveitando essa atmosfera cênica do Por do Sol.









