A Cremação

O momento mais singular da viagem foi meu último dia em Ubud, cidade no interior de Bali. Isso porque, por uma dessas serendipidades de viajante que tanto me acompanham, calhou de eu estar por ali durante a cerimônia de cremação de um membro de uma das muitas famílias reais do lugar.

Não consegui entender direito até agora a organização político-social de Bali, mas apesar de a Indonésia ser uma República presidencialista, no correr da vida há uma infinidade de nobres, numa sociedade também dividida em castas e classes bastante rígidas: campesinos, comerciantes, clero e nobreza, resumindo porcamente.

Não vou me arriscar a pitacar sobre o que vi: princesas sendo carregadas em andores, súditos arrastando sarcófagos pelas ruas irregulares da cidade, sacerdotes abençoando estes carregadores, mulheres desfilando com oferendas… Tudo era tão complexo, assustador, intrigante, lindo…

A cerimônia foi preparada ao longo de toda a semana, construindo-se um boi sagrado, responsável por levar o corpo da falecida realeza em direção ao paraíso (com uma rápida passagem pelo inferno). O passamento já tinha acontecido há alguns meses, mas os líderes religiosos escolheram o dia 08 de Maio como o mais propício a uma travessia mais curta e tranquila em direção ao além.

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