Bali

Bali é o coração turístico da Indonésia. A ilha tem essencialmente três tipos de turismo: turismo cultural, relacionado ao hinduísmo (religião majoritária por lá); turismo de aventura (dois grandes vulcões na linha, além de algumas trilhas e rios para rafting); e o turismo de praia. Para explorar todas essas facetas do turismo local, você precisaria de muitos muitos dias. Como só tinha 6, acabei ficando com o primeiro. Não fiz trilhas e visitei apenas rapidamente as praias mais famosas (região de Kuta e Semyaki).

Para aproveitar ao máximo o meu objetivo, que era visitar os 5 templos mais relevantes de Bali, além de ver as 3 formas mais tradicionais de dança local, fiquei hospedado em Ubud, cidade que fica no centro da Ilha.

Ubud propriamente tem alguns pontos de interesse interessantes, mas a localização geográfica é realmente o que conta. Como o trânsito e o transporte por ali não são dos mais simples, estar no centro da ilha facilita a ida a lugares de leste a oeste. A cidade gira em torno do turismo. Então, não é difícil achar seu caminho para as principais atrações. O difícil, mesmo, é fugir das “armadilhas de turista” que recheiam a cidade.

A cidade não é perigosa. Muito pelo contrário. É muito tranquilo circular por ali, a qualquer hora e independente de companhia. Mas as pessoas estão o tempo todo tentando ganhar algum dinheiro, te vendendo produtos e serviços que você não necessariamente precisa.

Nos templos da região é necessário usar o Sarongue para visitação. É uma espécie de canga que eles usam como saia, muito fácil de ser comprada nas ruas. Um preço justo é algo como 50.000 Rúpias, o equivalente a 4 dólares. Alguns templos te emprestam um sarongue básico, valor já incluído na entrada (Uluwatur e Caverna do elefante, por exemplo). Mas como outros tantos não fornecem, acho que é uma boa aquisição. Até porque vira um souvenir interessante =).

Fiquei hospedado no Puji Bungalows. Eles têm um hostel e um hotel no mesmo espaço, que é também uma plantação de arroz. Os dois compartilham uma piscina bem gostosa e cênica e está localizado a uma caminhada curta (cinco minutos) do centro de Ubud.

Falei que estava atrás dos 5 templos mais relevantes, certo? Pois bem, pelo que pesquisei, esses templos seriam: Caverna do Elefante, Beratan, Uluwatur, Tanah Lot e Besakih. Montem meu roteiro da seguinte forma.

No primeiro dia fui para a Caverna do Elefante e Besakih. A caverna do elefante fica próxima ao centro de Ubud (com disposição grande, caminha-se. Mas como já tinha contratado o motorista, fui de carro).

A caverna do elefante é um templo budista/hinduísta de tamanho médio. Dentro do templo, além de uma área de pequenas cachoeiras e jardins bonitos, há uma caverna cuja entrada é a boca de Ganesha (sinceramente, não vi Ganesha ali… mas essa é a razão do nome do lugar inclusive…). Dentro dessa caverna, que é bem pequena, há dois pequenos altares. Um dedicado a Ganesha (agora sim, bem claro Ganesha, a manifestação divina vocacionada ao conhecimento, além de três pedras de saia, nas cores das três maiores divindades hindus: Shiva, Brahma e Vishnu).

O templo tem muitos guias tentando ganhar um trocado, além de uma espécie de sacerdote budista que tá ali claramente pra fazer um troco e não pra qualquer fim religioso. Mas, fora esse aspecto (que te acompanha por todo canto em Ubud) é um lugar bonito, e um excelente começo pra viagem.

Fomos em seguida ao templo de Kerta Ghosa. Fica ao lado de um museu que não visitamos, mas o templo em si, apesar de pequeno, tem um detalhe interessante: No teto estão pintadas representações das escrituras sagradas hindus, explicando o pós-morte em diversas imagens razoavelmente auto-explicativas. Para os hindus o inferno é um local temporário, em que sua alma vai sofrer proporcionalmente às coisas erradas que você fez em terra. As imagens explicam cada um dos castigos destinados a quem, por exemplo, se dedicou à luxúria ou à gula no plano material.

De lá partimos pra Besakih, o templo maior, o mais impressionante da viagem a Bali. É um complexo que mais parece uma cidade, lotado de pequenos templos, “públicos” e familiares. Logo na entrada há uma espécie de cooperativa de guias de turismo que vai te cobrar valores extorsivos para uma visita guiada (U$ 25,00). É possível que tentem te enganar, como tentaram me enganar, dizendo que só é possível entrar com guia, ou que há lugares que só é possível visitar com auxílio do guia. Não caia nessa. É perfeitamente possível visitar quase todos os lugares sem auxílio de guia. Alguns, você não pode entrar nem mesmo com guia. Outros (poucos) os guias dão um “jeitinho” de te colocar pra dentro. Mas o essencial você consegue explorar sozinho.

Agora, obviamente, contar com o apoio de um guia pode te ajudar a entender a grandeza daquilo tudo. E o preço cobrando na porta é completamente irreal. Então, recomendo que você caminhe um pouco pelo templo e, mais cedo ou mais tarde, algum guia vai se oferecer por um preço decente. Outra coisa que fiz, e que recomendo, é testar um pouco o inglês do guia antes de fechar. Tem muitos guias com inglês sofrível. Daí, não vai adiantar muito ter apoio profissional… por mais que ele conheça o lugar, se não consegue te passar o que sabe, não serve pra muita coisa, certo?

Acabei contratando um guia que me cobrou 1/6 do valor que tinham me cobrado na entrada (U$ 4,00). Fiz questão de pagar o dobro do que ele pediu, ao final, pois além de bastante honesto (não tentou mentir sobre a necessidade de guia) foi um guia atencioso e dominador do assunto.

O ponto mais impressionante do templo é a escadaria da entrada. Toda decorada com flores e guardiões. À esquerda, os guardiões do bem. À direita, os guardiões do mal. Compondo o equilíbrio que é inerente à filosofia-religião deles.

Saímos de Besakih em direção ao templo das águas sagradas. No caminho, paramos em um produtor de cafés chamado “Sátria”. Lá é possível fazer uma degustação dos 16 tipos de café e chá que produzem lá, sem qualquer custo. Óbvio que esperam que você compre algo ao final (preços altos), mas isso em nenhum momento é imposto. Aliás, o tempo inteiro os motoristas vão tentar te levar nesses lugares (madeira, cobre, esculturas em osso, produtores de arroz e café, barracas de frutas… eles ganham comissão em cada compra que você faz nesses lugares… se isso não te agrada, é só dizer que não quer e tudo está resolvido…).

No templo das águas sagradas, muitos balineses vão para lavar o corpo (e a alma) nas águas sagradas do encontro de dois grandes rios locais. É também nestas fontes que são coletadas as águas para algumas das cerimônias religiosas mais importantes de Bali. É possível entrar nos tanques de água e purificar-se você também… eles têm vestiário e guarda-volumes.

O Sarongue é obrigatório e, para as mulheres, tal qual outros templos hindus, é proibido entrar “no seu período”.

Leave a comment