Por que Indonesia?

A ideia de viajar para a Indonesia surgiu depois de muitas conversas com viajantes mais experientes que eu. Quando se vaga pelos países alheios a gente sempre encontra com pessoas que estão dedicando a vida exclusivamente a viajar. Às vezes por pouco tempo, às vezes sem prazo certo pra terminar. É um tipo de viajante muito peculiar, normalmente gente que surta com o trabalho ou que acabou de terminar a faculdade, e que decide sair sem rumo pelo mundo.

Essas pessoas normalmente tem um portfólio de países tão grande no currículo, que consegue comparar experiências e chegar em peculiaridades que podem fazer uma viagem especial.

Nas conversas de mesa de bar que tive com gente com esse perfil, sempre perguntava: Qual o melhor lugar pelo qual você já passou? Claro que as respostas eram difusas, e que a experiência de cada um é diferente da do outro. Mas a Indonésia sempre aparecia com uma frequência grande nesses papos de boteco. Isso me encorajou a pesquisar mais sobre esse país que, confesso, nunca tinha pensado antes em visitar.

Pois bem, ao mesmo tempo que recebia boas notícias vindas da Indonésia, também recebi muitos desestímulos. As pessoas apontam uma série de problemas no país, especialmente relacionados às dificuldades de mobilidade. Muita gente reclamou dos horários caóticos dos transportes; o trânsito insuportável; a escassez de opções… Não posso dizer que as pessoas estavam mentindo, mas na prática, olhando agora em retrospectiva, tenho certeza que o Diabo não é tão feio como se ponta. Os elogios se mostraram bem mais verdadeiros que as críticas e os perrengues, com certa dose de paciência e/ou uns trocados a mais, são facilmente superados.

Preços ridiculamente baratos

Noves fora, a Indonesia foi uma das viagens mais baratas que já fiz na vida. Tive, claro, uma vantagem competitiva: Consegui pegar as passagens numa promoção de milhas, e os bilhetes do Brasil até a Indonésia não são exatamente baratos. Mas fora os vôos de cá pra lá, tudo no país é ridiculamente barato.

Por exemplo: Não é difícil encontrar um bom hostel por algo como R$ 30,00 por noite. E mesmo pra pessoas mais frescas (como a idade me tornou), um quarto individual simples pode sair por algo como U$ 17. Uma dupla de amigas conseguiu em Flores, próximo à Ilha de Komodo, por algo como U$ 12, um quarto para duas pessoas, em um hotel que não era dos piores. O hotel mais caro que fiquei, que tinha uma piscina bem bacana, de frente pra uma pequena plantação de arroz bastante cênica, me custou U$ 30. Esse quarto, que tinha ar condicionado e um belo café da manhã servido na varandinha do quarto, comportava facilmente três amigos (uma cama de casal tipo king e uma cama de solteiro).

A comida também, em geral, é bastante barata. Tirando os restaurantes estrelados, em que se paga o mesmo que um restaurante mediano em SP (e come-se pior, na minha opinião, apesar de ter o lance cultural de experimentar os temperos diferentes deles), os restaurantes comuns vão te cobrar valores bastante acessíveis. Um prato de comida num restaurante comum custa cerca de 7 reais (minhas pedidas seguras normalmente eram o “risotto” deles e um negócio chamado Gado-Gado, que são vegetais cozidos com molho de amendoim).

Uma história curiosa aconteceu em um dos tours que tava fazendo em Bali: Eu vi um restaurante na estrada que era um dos poucos que tinha resenha no Trip Advisor por perto de onde estávamos. Pedi ao motorista pra pararmos ali, ele disse que era um restaurante caro, se isso não era um problema? Falei que não e ficamos por ali mesmo. Quando veio a conta, vi que o caro para ele significava algo como R$ 25,00 (detalhe: estamos falando de almoço com bebida e café para DUAS pessoas).

Por falar em motorista, isso também tem que ser colocado nesse capítulo de preços. De fato, como as pessoas tinham me dito, o sistema público de transporte aqui em Bali não é dos melhores. Então, o ideal é meter a mão no bolso e recorrer a um tour, privado ou coletivo. Como minha viagem foi um tanto mais apressada, fiquei com a primeira opção. Mas daria pra gastar um terço do que gastei se optasse pelos coletivos.

E mesmo “chutando o balde”, estamos falando de gastos relativamente modestos. Eu contratei um motorista que falava um inglês “ok”, um carro confortável com ar condicionado, gasolina, estacionamento e pedágios, tudo por cerca de R$ 175,00 por dia. Se eu estivesse acompanhado, daria pra dividir esse valor com até 6 pessoas, já que o carro comportava 7. O motorista me disse que o preço seria o mesmo, ainda que o carro estivesse cheio. O valor me dava direito a tantas horas quanto eu aguentasse, o que, no último dia, significou algo como 14 horas.

Os vôos internos são mais caros do que reza a lenda. Mas ainda assim é possível conseguir transporte entre as cidades por preços que não são extorsivos.

Idioma, cordialidade e barganha.

Ninguém que encontrei na Indonésia falava um inglês decente. Mas todo mundo falava algo, o que é bem fantástico. Você pode não conseguir os melhores guias pra te explicar as coisas locais, mas qualquer pessoa aleatória na rua vai ajudar você pras coisas simples.

Aliás, baita povo simpático. Mesmo nos centros mais turísticos, como Ubud, todo mundo é bastante receptivo e carinhoso.

É chato, é verdade, a insistência das pessoas em tentar ganhar dinheiro de alguma forma. Taxistas, principalmente, mas outros serviços voltados a turistas também são bastante insistentes. Outra coisa insuportável é a cultura da barganha: A maioria dos lugares de comércio vai te dar como primeiro preço algo que é 10 vezes mais caro que o valor de fato do produto. Pra quem, como eu, não gosta de dar preço no trabalho alheio, isso é realmente insuportável. Mas, se não quiser bancar o trouxa, vai ter que gastar um tempinho discutindo preço com o vendedor.

Reservar antecipadamente ou não?

Por conta do terrorismo que alguns amigos fizeram, resolvi me preparar pra essa viagem com bastante antecedência. Reservei tudo ainda no Brasil pra ter certeza que nada seria perdido, evitando perrengues. Bem, me arrependi.

Não sei se em alta temporada seria diferente, mas agora, em Abril/Maio, foi algo totalmente desnecessário. Tudo poderia ser comprado na hora e, principalmente, pagando muito menos. Paguei, em média, 25% a mais que as pessoas que chegavam nos lugares com a cara e a coragem. Estou falando de hoteis, passeios, tours etc.

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