Akihabara

Tókio é a Roma Nerd. Todo garoto espinhento já sonhou em se mandar pra lá um dia, pelos animês, pelas esquisitices ou pelas fantasias tecnológicas. Um dos bairros mais simbólicos de todo esse “fervo” é Akihabara.

As imensas lojas de departamento são das principais atrações do bairro. Andares e mais andares de novidades (ou não) úteis (ou não) para resolver (ou não) todos os problemas da sua vida. Para quem consegue aturar as horas a fio do sistema de som repetindo o jingle da loja, é difícil sair de lá sem comprar ao menos um produto revolucionário. Há boatos de pessoas que conseguem morar nos muitos andares da Yodabashi.

Pros mais intrépidos e aventureiros, tem os muitos (e muitos) prédios dedicados aos fliperamas. Templos imensos com toda uma variedade de máquinas de jogos muito absurdas. Imagine, por exemplo, uma mistura de PES com Magic: The Gathering, jogada numa máquina de arcade. Ou as mais inusitadas máquinas de dança.

Pros meninos mais púberes, tem também as gigantescas (sim, tudo lá é grandioso, acostume-se) sex shops e maid-cafés. Ainda quero escrever um posto mais longo sobre as piras sexuais no Japão, mas sem dúvidas o bairro Nerd concentra boa parte dos lugares mais bizarros que já vi na vida, quando o assunto é sexo.

Corinthiano sobe sem fila!

Era 2012, o ano de uma das mais fantásticas viagens que já fiz na vida: Tókio. O contexto que me levou à Roma Nerd foi o Timão. Sempre sonhei conhecer o Japão e a oportunidade de viajar pra lá numa época tão única funcionou como um catalizador desse desejo. Ver como 30.000 Corinthianos se comportam num ambiente tão… incomum… era um atrativo tão grande quanto o jogo em si. Por isso mesmo comprei a passagem antes mesmo de ter os ingressos.

E uma das histórias mais curiosas desse “Colóquio Shinjuku-Itaquera” aconteceu na Tókio Skytree, o Banespa deles.

A torre fica próxima à margem do Rio Sumida e é a segunda mais alta do mundo. De cima, vê-se um dos pores de sol mais bonitos que já encontrei, com as formas de Fuji-San e as luzes de uma cidade imensa que começa a anoitecer. Por isso, escolhi o fim de tarde como horário pra subir os seiscentos e tantos andares da torre e poder fotografar o Por do Sol daquela altura toda. O problema é: Eu e a torcida do Corinthians inteira (literalmente, no caso).

Chegamos na torre por volta das 16h, com o sol de inverno se ponto cerca de 40 minutos depois disso. Ingênuo, eu achei que isso seria tempo suficiente para ver ambos: O dia e a noite. O problema é, não contava com uma fila de estimadas 1h30 para subir. Uma ordeira, silenciosa e civilizada fila japonesa, cheia de atendentes solícitos e simpáticos…

Um desses atendentes quis achar assunto conosco. Viu que estávamos em 3 pessoas, conversando esporadicamente com um grupo de outros três… Sabe-se lá porque ele resolveu perguntar em quantos estávamos (6 no caso), e emendou dizendo: Que pena, fossem 50 (CINQUENTA) vocês poderiam subir sem fila, pelo elevador de grupos.

Mas, amigo, aqui é Corinthians não é Kashima Anthlers! A resposta não demorou 30 segundos pra vir:

“Aê Corinthiano sobe sem Fila”!, gritei pra multidão.

5 minutos depois éramos um grupo de mais de 50 corinthianos prontos pra subir, mas com um grande problema a ser resolvido: Todos teriam que pagar para uma só pessoa, que se encarregaria de comprar o tícket do grupo todo (regras da casa). Mas, para os olhos atônitos do japonesinho que me “deu a ideia sem querer”, tudo deu certo e eu consegui tirar a foto desse por de sol.

 


 

Pra quem quiser pular as filas mas não tem toda uma Nação Corinthiana do seu lado, um truque útil é comprar os bilhetes com antecedência. Dizem que funciona tão bem quanto =)

Próximo da Tókio Sytree fica o templo de Sensoji, o mais antigo templo budista do Japão, construído em homenagem à deusa da Misericórdia. Os odores de insenso e os sons dos arredores estão entre as memórias mais bacanas que tenho do país.

Também por ali perto fica a rua Kappabashi, onde se pode comprar as impressionantes comidas de plástico do Japão

Os cinco cubanos

Das experiências que tive em Cuba, uma das mais curiosas foi esta da foto.

Fiquei preso por algum tempo em uma prisão improvisada no Museu de Arte Contemporânea de Havana. Fui algemado, acorrentado, mal tratado pelo carcereiro, revistado enquanto ouvia ordens arrogantes por um auto-falante (língua pra fora, faz três agachamentos, levanta o pé esquerdo, o pé direito… etc.). Por fim, fui jogado na solitária por cerca de 15 minutos.

Não fiz nada de errado, e a ideia de quem criou aquela cadeia era justamente essa. Era uma instalação que tinha um objetivo político de enfatizar o tratamento dispensado a 5 Cubanos que foram presos nos EUA por terrorismo (não entendi direito, mas acho que eles não estão em Guantânamo. Dois estão em Miami, os outros já foram liberados).

Mas fiquei pensando em uma instalação artística desse tipo aqui no Brasil. Isso porque não foi difícil perceber que aquela cadeia deles era bem confortável perto da situação dos nossos presídios, inclusive em relação aos familiares que vão visitar seus parentes, submetidos a uma série de revistas humilhantes…

Enfim… só pensei…

 

“A grande Roubada”

Ou “Pequena crônica sobre esporte e sociedade cubana”, o que lhe parecer menos pretensioso.

Para a maioria de vocês, o que eu vou contar agora pode ser a maior “roubada” desta viagem (talvez de todas as viagens que eu já fiz). Um programa de índio dos mais desastrosos. Mas para mim, valeu cada minuto (e os poucos centavos) que gastei nessa aventura esquisita. Vou contar em texto, porque as fotos não conseguem explicar tudo.

Em Cuba pouco se joga futebol. Quando se fala do esporte, normalmente é para citar os times espanhóis. Aqui, a paixão nacional é um jogo que nunca entendi direito, o Baseball. E por uma sorte minha, cheguei aqui no começo do playoff final do “Cubanão”. Em lados opostos, Piñar Del Rio X Matanzas.

Assisti ao terceiro jogo dos playoffs em um bar no dia em que cheguei em Havana. Meu primeiro mojito foi assistindo a esta partida em um bar turístico, vazio por dentro, mas com cerca de 40 pessoas se engalfinhando na janela para ver a partida. Do lado de dentro, alguns poucos turistas e um segurança fanfarrão, torcedor do Matanzas, que fazia caras, bocas e danças curiosas a cada jogada. Venceu Matanzas naquele dia, perdeu os dois dias seguintes, e trouxe a reta final para o seu estádio com a desvantagem de 3×2.

Mesmo sem entender nada de Baseball, fiquei me coçando para se pagar alguns CUCs a um taxista que me levasse à província vizinha, cerca de 100Km de Havana. Durante o café da manhã, comentei com o dono da casa onde estou hospedado que andava com esse desejo. Ele, um senhor de cerca de 60 anos, militar aposentado, geógrafo de formação, contou que na verdade era nascido em Matanzas e que estava acompanhando apreensivo a série (já que aqui normalmente se torce pelo time da sua própria província natal).

Disse ainda que apesar de acompanhar diariamente os jogos de baseball (estamos falando de partidas de 3 horas de duração, que acontecem quase todos os dias), há muitos anos não via um jogo do Matanzas no estádio e que nunca tinha visitado o “recém” construído estádio do seu time.

Dali a um tempo me disse: Vamos juntos ao jogo? Tinha apenas dois poréns. O primeiro: o jogo final seria à noite, por volta das 19h. Assim, não seria possível voltar no mesmo dia. Teríamos que dormir na casa de seu irmão, outro Matanzero. O segundo: Não queria contratar um taxista para isso. Teríamos que fazer “como um cubano”, com todas as dificuldades que isso implica.

Explico: O Taxi nos custaria cerca de R$ 140,00, preço que não é barato, mas gastamos mais que isso em ingressos quando vamos a jogos bem menos importantes do Corinthians, certo? Ocorre que o salário médio de um Cubano é cerca de R$ 70,00. Nem mesmo o salário máximo chega a esse valor. Obviamente, portanto, essa opção seria somente para turistas.

Pois bem, aceitei, mesmo sem entender direito como seriam todas as dificuldades do “cubano” para ir a Matanzas. Deixei para descobrir no dia seguinte, um tanto quanto ansioso para assistir à final do campeonato cubano de baseball!

Saímos de casa por volta das 11 da manhã e tomamos um “Taxi coletivo” até o Parque central. Apesar do nome, esse transporte não tem muito de nobre. É como uma lotação. Particulares andam pelas ruas com uma placa de “Táxi”, seguindo o mesmo trajeto dos poucos e lotados ônibus municipais. Cobram algo como R$ 1,00 por passageiro, que são transportados nos seus carros-museu (uma parte considerável são carros americanos da década de 50, outros são Ladas russos da década de 60-70) ao som de umas salsas modernas, embriagadas da popice norte-americana. Para tomar um desses Táxis não se faz qualquer cerimônia: é só encostar na calçada e fazer sinal que em menos de 10 segundos uma frota inteira de carros pára para tentar ganhar um trocado.

Chegando ao Parque central, Baleiro me levou ao primeiro ônibus que tomei em Cuba. Me apresentou orgulhoso: Este é o transporte público mais barato que você vai andar em toda sua vida: 0,40 Pesos Cubanos (ou R$ 0,01, sim um centavo, é isto que custa o transporte público oficial em Cuba, o que ajuda a entender como se vive com um salário tão baixo).

O Ônibus, por si, é um conto inteiro. Desde o velho lendo o Granma, ao motorista que gritava insistentemente para os passageiros darem “um passinho pra trás”, para caber mais gente. O bi-articulado estatal, que levava cerca de 5 pessoas por metro quadrado, estava todo decorado com adesivos, que iam desde a Maçã da Apple (tem muitas aqui, curiosamente) a uma solitária bandeira brasileira acima do retrovisor. Tinha também algumas frases de duplo sentido, que só consegui entender porque o Baleiro me explicou, depois de uma longa discussão, com os passageiros que dividiam o mesmo metro quadrado que nós, sobre a morfologia e a etnografia da palavra “Kimba” (Sim, é impressionante como as pessoas aqui são cultas).

O Ônibus nos levou naquele pacote humano por cerca de 40 minutos até a saída da cidade de Havana. Ali descemos e fomos até a beira da estrada, tentar tomar uma carona paga. A primeira opção que apareceu foi uma espécie de “fretado” que levava trabalhadores para o turno da tarde em alguma cidade do Leste. Parou, contou quantos bancos vazios tinha e gritou para o aglomerado de “caroneiros” que estava naquele ponto estratégico da estrada: 8 sentados, 10 de pé.

Começou então a briga do povo para subir no ônibus. Havia muito mais que 18, por isso eu e Baleiro ficamos de fora. Mas deu pra perceber que ainda que o motorista não tenha falado em nenhum momento o valor do “transporte”, havia uma tabela de preços implícita, já que todos os que subiam no ônibus lhe davam como que R$ 1,00, dinheiro devidamente embolsado pelo “jofer”. (outra ajuda para entender como se vive com um salário tão baixo).

Decidimos nos adiantar à turma de caroneiros e andar cerca de 200 metros adiante, tentar pegar os carros antes que chegassem àquele aglomerado. Deu certo: Em 15 minutos apareceu um 4×4 russo, de uma companhia estatal energética cubana, conduzido por um baixo executivo acompanhado de sua esposa. Ocupamos 2 dos 3 lugares vagos (o terceiro ficou com um senhor de 50 e poucos anos, aparentemente músico) e partimos em direção a Matanzas.

O motorista viajava a trabalho no carro estatal, por isso recusou de pronto quanto tentamos pagar os R$ 2,50 cada (o valor implícito dos carros é maior que o do ônibus, obviamente). Mas não recusou porque não queria, recusou para que não vissem ele recebendo dinheiro por dar caronas. Tão logo nos afastamos daquele aglomerado, recebeu “con mucho gusto” a pequena propina. Vale lembrar: Em Cuba, o salário desse executivo de uma empresa estatal é muito parecido (cinco reais a mais, ou algo assim) com o do motorista de ônibus.

Foram cerca de 2 horas até Matanzas, discutindo matrizes energéticas cubanas dentro daquele chacoalhante carro soviético. A cidade, apelidada de “Athenas Cubana” por conta dos intelectuais que ali nasceram, parecia frenética (considerando a população local de cerca de 110.000 pessoas). Saímos caminhando pelas ruas da cidade em busca de algo minimamente seguro para comer (essa foi uma frescura que eu tive que exigir. Comer em Cuba me parece uma aventura um tanto perigosa. As noções de higiene aqui são um tanto quanto… churrasco grego na praça da Sé).

Chegamos à casa de Seu Irmão, um professor de História, com Doutorado, que vive em uma casa de três cômodos que lembra (bastante) um barraco mais ajeitado na favela. Um dos três cômodos, a sala, era ricamente enfeitado com livros de história, pedagogia e psicoterapia (“su hija”). Conversamos por cerca de 2 horas sobre política internacional (Venezuela, onde trabalhou por alguns anos, Brasil, claro, Rússia, Estados Unidos, e alguns países latino americanos que, por estarem discutindo rápida e entusiasmadamente, não consegui entender do que falavam). Mostrou ainda sua criação de galinhas e seu grande orgulho: Um galo que ganhou o segundo prêmio nacional de beleza galinácea…

Comemos uma fruta bomba, tomamos um café e nos mandamos para o Estádio. Baleiro, que disse que nunca ia ao estádio, não o faz porque acha difícil acompanhar o jogo sem a narração e os comentários. Então, como forma de minimizar o problema, colocou mais esta condição: Teríamos que chegar ao estádio no mais tardar às 17h (duas antes de o jogo começar) para escolhermos um lugar privilegiado. E assim fizemos. Pus o boné que me emprestaram, com um “M” amarelo, bordado e colado à mão pela sobrinha do Baleiro sobre um desenho qualquer que estava ali antes (não existem muitos produtos “oficiais” em um país como Cuba, e também praticamente não existe pirataria em escala industrial… apenas estas pequenas imitações particulares pra uso próprio, como percebi no estádio mais tarde).

No caminho do estádio pude ver o transporte público de Matanzas: Alguns Táxis particulares e muitas carroças (não estou falando de carroças turísticas, como aquelas que se vê aqui ou acolá em Havana. Estou falando de carroças mesmo, com cavalos mal nutridos e bancos bem desconfortáveis). Vi também os torcedores chegando no estádio em caminhões balançantes, muito parecidos com aqueles em que se transportam boias frias. Baleiro me explicou que as empresas estatais (não todas, claro) do campo costumam trazer seus trabalhadores de graça para o estádio em ocasiões como esta. Então, o mesmo caminhão que os leva para cortar cana, trouxe ao estádio “Vitória de Giron”, para assistir à final do campeonato.

Conforme chegavam, amontoavam-se em uma “fan fest” montada na entrada do estádio. Muita salsa, cerveja, malta e frango frito, mas nenhuma garrafa de água mineral num raio de 3 Km. A festa parecia ser organizada de improviso por alguém do próprio estádio, usando como base uma lanchonete de alvenaria no pé da construção, e de som uma caixa solitária de média potência. Alguns torcedores que não tiveram tempo de almoçar corretamente comiam ali mesmo, de pé na balada, um prato de arroz com feijão (e só). Não tirei foto por respeito, mas até “o prato” aqui é exagero de expressão. Alguns comiam de dentro de um saco, como estes de supermercado, usando as mãos de talher. A cena que nós vemos com alguma frequência ali no centrão de SP (comer com as mãos, a partir de um saco plástico) tinha um elemento diferente: Ninguém ali era ou parecia mendigo. Pelo contrário, as pessoas estavam bastante melhor vestidas que o que se vê normalmente nos nossos estádios de futebol.

A entrada para o jogo (lembrando: é uma final de campeonato) custava R$ 0,10 para os Cubanos. Baleiro tentou comprar o meu, mas fiz questão de pagar o “preço de estrangeiro”. Não acho justo aproveitar a estrutura deles ganhando um salário consideravelmente maior… Paguei para entrar o mesmo que 100 cubanos (a fortuna de R$ 10,00). Na verdade paguei por 200 cubanos, já que o estádio tem uma maluquice: Não existe lanchonete na parte de dentro do estádio. Aqui e acolá aparecem alguns ambulantes, vendendo sanduíches de presunto (ao estilo Chaves) ou alguns produtos de origem duvidosa. Preferi não arriscar, sair do estádio para comprar algo industrializado (algo MUITO difícil de encontrar por aqui), e voltar a pagar o ingresso (já que chegamos 2 horas antes e a perspectiva era que o jogo durasse mais de 3 horas).

Dentro do estádio o clima era de festa. Uma minoria de Pinarenhos cantava, dançava e discutia (de um jeito brincalhão, absolutamente inofensivo) com os Matanzeros que dominavam o estádio. O espírito me lembrava os jogos jurídicos. Minto, até mesmo nossos JJEs têm mais rivalidade do que isto. O espírito era um pouco o do InterUSP, algo como San Fran e Farma. E reforçava essa ideia as provocações que eram trocadas: Entendi poucas, mas as poucas que entendi já foram engraçadas. Era o “Só sei falar cantando” levado a uma perspectiva bem diferente, meio salseira, e com todo conteúdo sócio-econômico das duas cidades.

As músicas (e mascotes) de ambos os times realçavam a importância econômica e/ou cultural de sua província para o país. Do lado leste, os grandes criadouros de “cocodrilos” do Sul da Província (segundo Baleiro, apenas para preservação da espécie). Do lado Pinareño, o Tabaco. A torcida deles chegou a trazer uma grande muda curiosa de tabaco (cerca de 1,5m de altura, e eu nem sabia que isso dava daquele jeito), que ficavam balançando para provocar a torcida adversária.

Fato curioso: Em um campeonato comunista, no fundo todos os times são do Estado. Então, não existem diferenças no salário dos jogadores que, em consequência, passam a vida toda jogando no mesmo clube… o time de sua terra natal. Por isso, existe toda uma cultura de torcer pelo time da sua cidade e envolver-se apaixonadamente com essas ocasiões.

Entre uma risada e outra com as provocações das torcidas, Baleiro me explicava o beabá do baseball, já que sequer sabia como se organizavam os “inings”. E me explicou também a respeito do nome do estádio: “Vitória de Giron”. Giron foi uma das duas batalhas que marcaram a invasão da Baía dos Porcos por exércitos mercenários, financiados pela CIA como uma contrarrevolução em Cuba. O nome do estádio já diz tudo: Venceram os Cubanos, ao que parece em 16 de Abril (não lembro o ano). Essas coisas todas surgiam de cabeça, entre uma conversa e outra, na expectativa de que os Matanzeros ganhassem o primeiro título nacional de sua história no “Vitória de Girón”.

Mas quis o destino ser irônico. A chuva veio, molhou o campo e, depois de toda essa aventura, não vi jogo algum. A partida foi adiada para o dia 16 (se a informação do Baleiro está correta, a mesma da “vitória de Girón”) e eu não poderia ficar mais um dia em Matanzas para ver o jogo. Vimos pela TV, e desta vez os visitantes (ou invasores) levaram a melhor. O maluco que levou o pé de tabaco invadiu o campo balançando a muda (junto com outras centenas de Piñarenos, que foram abrigados em uma escola municipal de Matanzas e receberam alimentação gratuita do governo). Mais um detalhe que faz do fato de eu não ter visto a partida um mero aborrecimento sem relevância.