Table Mountain

A Table Mountain é uma das maiores atrações turísticas da África do Sul e uma das 7 Maravilhas Naturais do Mundo, segundo uma eleição mundial que aconteceu há alguns anos atrás, organizadas por uma associação Suiça (a mesma que elegeu o Cristo como uma das 7 Maravilhas do mundo moderno). Esta lista tem outros dois conhecidos nossos, que é a Floresta Amazônica e as Cataratas do Iguaçu. Mal acompanhada, portanto, não está.

Ela tem esse nome porque a montanha principal é razoavelmente plana em seu topo, pareando com alguns cumes que a circundam. Curiosamente um desses picos chama “Pico do Diabo”, exatamente ao lado de outros picos chamados… os 12 Apóstolos.

Para subir ao topo da Table Mountain pode se tomar um bondinho (R$ 60,00 ida e volta) ou uma trilha de dificuldade média, que levam ambos ao final da jornada: uma vista bastante espetaculosa da Cidade do Cabo. Com alguma sorte, a mesa não estará posta. Explico: é razoavelmente comum que o topo das montanhas sejam cobertas com uma neblina espessa, que estraga um pouco o passeio. Essa neblina eles chamam de: Toalha de mesa.

Caso, como eu, você passe por isso, uma alternativa é tomar um chocolate quente e comer uns bolinhos por um tempo na cafeteria. É bem possível que a névoa vá embora em algum tempo.

É interessante reservar umas três ou quatro horas pra montanha. Além da fila de aproximadamente uma hora (que pode ser abreviada se você comprar bilhete adiantado), acho que faz parte da experiência sentar uma das pedras lá em cima e ficar observando as formas da cidade do Cabo. Pra mim, uma hora ou mais foram necessárias só pra fazer isso. Além, há algumas rotas (eles chamam de Trilha… eu não consigo chamar isso de trilha) pelo topo da montanha. Caminhos muito tranquilos de onde se experimenta vistas diferentes da cidade e das montanhas em volta, que podem tomar até 1h.

Signal Hill

O por do sol do Signal Hill foi um dos meus pontos prediletos da cidade, por isso voltei no dia seguinte. Uma dica importante é levar uma cesta de Pic Nic lá pra cima. Há um espaço confortável pra sentar e olhar o porto e gastar um fim de tarde calmo. Com um pouco mais de preparação, recomendo passar numa “liquor store” e levar uma garrafinha de vinho, já que não é todo supermercado que vende Vinho na Cidade do Cabo e é estritamente contra a lei vender vinho para um transeunte nos restaurantes: Você tem que consumir no próprio local… Além disso, lá em cima tem apenas uma barraquinha, de um senhor que vende café e chocolate.

Nos dois dias que fui, um domingo e uma segunda, notei que o lugar é majoritariamente frequentado por brancos (turistas, expatriados e locais de classe média), e isso faz parte das coisas que me incomodaram na cidade. Ainda que o Apartheid tenha sido vencido há algumas décadas, é escandaloso como os públicos nos diferentes lugares da cidade é etnicamente distinto.

No segundo dia, em vez de optar pelo ônibus da CitySightseeing, tomei um Uber lá pra cima (R$ 15,00 desde Camps Bay). A ideia era ter mais liberdade de ficar um tempo depois do por do sol e conseguir umas imagens noturnas da cidade. Se é sua praia, recomendo… 

Curvas

A vida é uma confusa sucessão de curvas. Umas abertas e bem sinalizadas, que a gente contorna com segurança, quase distraído. Outras agudas, estreitas, que a gente mal sabe se sobrevive ao final do ângulo. Nem sempre se pode escolher o caminho, mas quando é possível prefiro o caminho mais fácil.

Parece covarde, mas prefiro a tranquilidade. Não me importa se o caminho é mais longo ou se a gasolina não vai deixar chegar até o destino. Mas quero a calma de poder olhar pela janela a todo instante. De não ter que desligar o rádio em momento algum ou não ter que interromper as conversas pra manter os olhos firmes nos carros que vêm na contramão.

Quanto mais aberta, melhor. Quanto mais sereno, mais vivo. Chegar, nunca se chega mesmo. A gente anda mais ou menos, mas a morte sempre nos pega antes da hora. É da nossa ambição sempre buscar novos destinos. Por isso, a jornada nunca tem fim. Sempre acaba prematura. E se a paisagem do caminho não for vivida, meu amigo, nada dessa estrada vai ter valido a pena.

Sul da África

Fiz esse tour em novembro de 2016 e compartilho aquilo que de melhor vi por lá para os que têm interesse em seguir a mesma rota. Namíbia – Botswana – Zimbábue, com a companhia Nomad Tours.

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Acampar pela primeira vez na vida foi uma das minhas resoluções de ano novo. A lista, como a de todos, é grande e, aos 45 do segundo tempo, mal passei da metade. Mas este objetivo pontual foi alcançado na viagem à África. A passagem apressada por Cape Town foi apenas uma introdução ao que efetivamente estava por vir, me juntei a um grupo de outras 23 Pessoas que decidiram viajar pouco mais de cinco mil quilômetros pelo sul do continente. Quatro países (África do Sul, Namíbia, Botswanna e Zimbábue) e um quinquilhão de paisagens bacanas.

A viagem deles começou um pouco antes, também em Cape Town. Mas meus dias de férias não cabiam nos 21 do tour completo. Assim, tomei um atalho e encontrei o grupo em Swakopumund, Namíbia.

A companhia responsável pelo meu tour foi a Nomad Tours e eles organizam excursões regulares pelo interior da África. O mais regular é este que me juntei, mas existem outros tantos mais ao norte, ainda que com menos frequência. Eles provêem duas possibilidades de tour: com estadia em hotéis ou em barracas. No geral, os lugares de hospedagem são basicamente os mesmos, o que varia é se você usa ou não a estrutura já existente por ali. Optei pelo camping, sendo que a Nomad providencia as barracas.

A rotina diária inclui uma divisão de tarefas entre os integrantes do grupo. Em sistema de rodízio, todos os dias 4 pessoas ficam responsáveis pelo auxílio na cozinha. A Nomad fornece os ingredientes e os viajantes cuidam do preparo e arrumação de três refeições diárias. Além disso, o guia é responsável por fiscalizar as regras rígidas quanto a montagem e desmontagem de barracas, além dos horários pouco ortodoxos de início de cada jornada. A hora de acordar variava entre 5 e 7 da manhã, sempre com a obrigação de desmontar todas as barracas e guardar todas as malas no ônibus antes do café da manhã.

O público no tour que tomei era essencialmente alemão, além de alguns poucos europeus de outras nacionalidades, uma coreana e eu. Mas imagino que isso foi porque estas datas foram anunciadas como contendo um tradutor Inglês-Alemão, mode que não sei dizer que essa é a composição normal da tripulação. A viagem é feita em um caminhão militar alto, um tanto desconfortável, mas com o necessário pra uma jornada tão longa.

A Namíbia é um destino de turismo pouco conhecido, mas com uma boa dúzia de coisas interessantes a se visitar. Algumas até um tanto inesperadas, como uma das maiores concentrações de focas do mundo, numa península estreita entre os lagos salgados e o oceano Atlântico chamado “Pelican Point”. Aproveitei meu primeiro dia na em Swakopmund para visitar essas focas, ainda sem os demais tripulantes da excursão.

Alguns trechos do País acabam por me lembrar um outro deserto um pouco mais comum pra nós, o do Atacama. No caminho pra Pelican Point, o posto das Focas, há uma imensa concentração de Flamingos também. Segundo o guia, são 65.000 aves que passam o ano naquela região, migrando sazonalmente para a reserva de Etosha para procriar.

No turno da tarde, me embrenhei em um 4×4 com algumas turistas russas pelas dunas de Sandwich Harbour, uma antiga região micro-industrial alemã que foi soterrada pelas areias das dunas móveis. Além da beleza das próprias dunas que margeiam a costa, algumas imagens bem cênicas são vistas no pouco que sobrou dos edifícios que existiam ali há algumas muitas décadas atrás.

Spitzkoppe

Partindo de Swakopumund já com a excursão, minha primeira parada foi em Spitzkoppe, uma formação rochosa vulcânica no norte do País. Foram muitas horas de estradas de terra sacolejantes até chegar ao acampamento, no interior do parque. Além da beleza cênica do lugar, há também alguns resquícios de pintura rupestre dos primeiros habitantes da região, os “bushmen” ou povo San.  À noite, um churrasco na fogueira do acampamento, com céu ultra-estrelado e histórias de acampamento.

Ouitjo

De Spitzkoppe partimos para Ouitjo, cidade ainda mais ao norte da Namíbia, perto de onde fica um grupo de indígenas da tribo Himba. Os Himbas são povos semi nômades, que vivem entre o sul de Angola e Norte da namíbia, sendo eles de origem Bantu.

Os Himbas têm um visual bastante pitoresco, cobrindo corpos e cabelos com uma solução marrom, que tem entre outros objetivos espantar os muitos insetos da região. Além da pele que parece coberta de lama, as mulheres também têm como traços característicos os diferentes arranjos de cabelo, que servem para deixar claro a qualquer desavisado se: 1) a menina já é mulher; 2) se a mulher já é casada; 3) se a mulher já tem filhos.

Etosha

De Ouitjo partimos pra aquele que é um dos destinos mais importantes da jornada, o parque Etosha, no norte da Namíbia, onde passaríamos os próximos dois dias.

O Etosha tem uma área de aproximadamente 22 mil km2, um quarto dos quais aberto aos chamados “Game Drive”. Esses jogos são na verdade a perambulação livre (em carros, sempre) pela reserva em busca de avistar os animais. Etosha tem quatro dos chamados “Big 5”, ou os cinco animais mais difíceis de serem caçados. A lista contém: Leões, Elefantes, Leopardos, Rinocerontes e Búfalos. Destes, apenas os últimos não podem ser encontrados no Etosha.

Dentro do parque há cinco opções de hospedagem em campings/hotéis de tamanhos e estrutura razoavelmente semelhante. Além das acomodações propriamente ditas, há piscina, bar/restaurante além de um “Waterhole”, que é uma pequena lagoa na qual se pode passar a noite observando os animais que vêm em busca de água. Um prêmio aos pacientes, já que é possível ver bem de perto alguns animais como leões e rinocerontes, principalmente no meio da madrugada.

No caso da Nomad, os tours são feitos no próprio caminhão da empresa, aquele que percorre o trajeto completo. A desvantagem talvez seja que, por ser grande, ele faz mais barulho que um carro normal. Não sei até que ponto isso pode afastar alguns animais, mas me pareceu mais discreto passear em um 4×4. Por outro lado, o caminhão é mais alto, o que facilita a visão de animais que estão um pouco mais distantes.

Deixamos Etosha em direção a Windhoek, a capital da Namíbia. Talvez pelo pouco tempo que se fica na cidade, talvez por não ter mesmo muito o que fazer, acabamos usando a cidade apenas como ponto de descanso. Nesta noite, assim como na primeira e na última, mesmo aqueles que optaram pelo tour em barracas podem dormir no quarto de um hotel bastante confortável. Além disso, visitamos um museu que conta a história do SWAPO, o antigo movimento guerrilheiro (hoje partido político no poder há muitos anos) que conquistou a independência da Namíbia. O museu foi construído por engenheiros da Coreia do Norte e é uma versão mais pobre do Museu da Guerra Norte Coreano, provavelmente um dos museus mais bonitos que já vi na vida. Assim como o primo oriental, o museu é uma imensa estrutura de propaganda política, contando uma versão completamente enviesada da história local.

Ghanzi

A passagem por Botwanna começou hospedando-se em uma tribo bosquímana na reigão de Ghanzi. Os Bosquímanos são um dos primeiros grupos da nossa espécie e têm hábitos ligados à caça e à coleta de produtos da natureza, e foram uma das experiências mais interessantes da viagem pra mim. Um tanto pela língua, que tem uns estalos bem diferentes entre os fonemas, e um tanto porque tivemos a oportunidade de passar uma manhã embrenhado com eles pelo mato em busca de folhas, frutos e raízes que fazem parte dos hábitos médicos, têxteis e alimentares da tribo.  À noite, ainda, mostraram pra nós um pouco de algumas danças e rituais tradicionais da cultura deles.

O turismo em tribos e aldeias é um assunto bastante controverso e que rende um bocado de discussões. Eu mesmo não cheguei a uma conclusão muito clara sobre o assunto, mas tendo a achar que é uma experiência válida que permite ter um tanto de contato com a cultura daquele povo, ao mesmo tempo que, por fornecer algum subsídio material, permite a sobrevivência daquelas tradições. Mas também entendo (e fico um tanto confuso) com os argumentos de quem vê nisso uma espécie de espetacularização (zoologicação) do ser humano.

Okavango

Seguimos viagem em direção ao Delta Okavango. A região lembra bastante o Pantanal Matogrossense, sendo uma imensa planície alagada, formada pelas águas que correm desde as terras mais altas de Angola. Ficamos dois dias no Delta, instalados em um acampamento especial no coração do pântano. Não sei se fomos azarados ou se, de fato, não há muitos animais terrestres a ver, mas o fato é que vimos alguns poucos hipopótamos, sempre a distância considerável, e dois ou três crocodilos (ou melhor, dois ou três pares de olhos de crocodilo). Por outro lado, foi um dos momentos mais relaxantes da viagem, com passeios de barco e canoa pelos canais formados pelos hipopótamos, assistindo uma imensidão de aves diferentes que batem asas por ali.

Chobe

Do Okavango fomos em direção ao Parque Chobe, penúltima parada da viagem. Ao contrário de Etosha, o Chobe se estende ao longo de um rio imenso (Cuando), que faz a fonteira entre Botswana e Namíbia. Assim, não é necessário ir atrás dos “Waterholes” em busca de animais, já que eles estão mais espalhados pelo parque. Isso também é mais propício à presença de animais mais afeitos à água, como hipopótamos, elefantes e búfalos d’água.

Nos hospedamos em um camping em Kasane, de onde saiam nossos passeios de observação de animais, tanto terrestres quanto aquáticos. 

Chegando ao Zimbábue

A última parada da viagem foi o complicado Zimbábue. Um país extremamente pobre e que vive sob a o controverso governo de Mugabe. Entre as muitas coisas estranhas do país, o fato de eles terem desistido de ter uma moeda local. Depois de anos de hiperinflação, que levaram o país a ter notas de um trilhão de dólares zimbabuenses, eles desencanaram e passaram a circular no mercado notas de outros países (como o Dólar americano e os Rands sulafricanos).

A passagem pelo Zimbábue foi bastante curta (dois dias) e essencialmente dedicada às impressionantes cataratas Vitória (que são divididas entre o Zimbábue e a Zâmbia). Fomos na época das secas, o que afastou aquelas visões mais clássicas das cataratas repletas de água. Mas, por outro lado, o volume mais baixo dava espaço pros cânions, igualmente impressionantes.