Curvas

A vida é uma confusa sucessão de curvas. Umas abertas e bem sinalizadas, que a gente contorna com segurança, quase distraído. Outras agudas, estreitas, que a gente mal sabe se sobrevive ao final do ângulo. Nem sempre se pode escolher o caminho, mas quando é possível prefiro o caminho mais fácil.

Parece covarde, mas prefiro a tranquilidade. Não me importa se o caminho é mais longo ou se a gasolina não vai deixar chegar até o destino. Mas quero a calma de poder olhar pela janela a todo instante. De não ter que desligar o rádio em momento algum ou não ter que interromper as conversas pra manter os olhos firmes nos carros que vêm na contramão.

Quanto mais aberta, melhor. Quanto mais sereno, mais vivo. Chegar, nunca se chega mesmo. A gente anda mais ou menos, mas a morte sempre nos pega antes da hora. É da nossa ambição sempre buscar novos destinos. Por isso, a jornada nunca tem fim. Sempre acaba prematura. E se a paisagem do caminho não for vivida, meu amigo, nada dessa estrada vai ter valido a pena.

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