A ideia desse texto não é explicar cada praia e passeio de Noronha. Tem muito relato na internet sobre isso. O que eu quero é tirar o medo das pessoas que acham que vão ter que vender um rim pra conhecer nosso destino mais cobiçado. Por isso, para cada uma das praias e passeios que eu citar, busca no google pra entender do que se trata.
Antes de mais nada, a resposta objetiva: Não vai ser barato. Noronha nunca foi um destino muito mochileiro e, apesar de as coisas estarem mudando, ainda é um tanto difícil fazer uma viagem “baratinha” pra lá.
Por outro lado, acho que é um destino verdadeiramente paradisíaco e que pode ser tão “barato” quanto outros menos interessantes que muitos amigos visitam, desde que você tenha certa dose de esperteza e aventura.
Hospedagem e alimentação
Pra começar, Noronha é cara nas hospedagens. Uma pousada comum pra casal, de média pra baixa qualidade, vai te custar o olho da cara (R$ 400,00 aproximadamente). Um jeito de driblar isso é se hospedar em um hostel, algo que até pouco tempo era inexistente na ilha. Fiquei hospedado na casa Swell, que cobram R$ 150,00 por diária (e também têm quartos privativos, um pouco mais caros que isso pra um casal). Continua não sendo exatamente barato, mas é um jeito realmente bom de economizar, por alguns motivos “ocultos”.
A alimentação em Noronha é bastante cara. Uma refeição comum normalmente gira em torno de R$ 80,00 a R$ 100,00 por pessoa. E ficar em um hostel te permite cozinhar o próprio rango, reduzindo bastante os gastos por lá. Outra alternativa pra não perder as calças comendo é recorrer aos vendedores de quentinhas. Percebi que muitos trabalhadores da ilha, por motivos óbvios, não recorrem aos caros restaurantes de lá. Por isso, há empresas que vendem “marmitas” de R$ 20,00 (e que servem duas pessoas controladas na fome). Infelizmente não peguei o contato de nenhuma dessas empresas, mas é fácil descobrir isso com os locais.
Outra vantagem do hostel é que fica muito fácil você conhecer outros turistas. Fazendo isso, você arranja companhia fácil pros passeios, o que aumenta a segurança de não recorrer aos guias, outro custo meio alto da ilha. Pra dar um exemplo, o passeio ao Morro de Fora custa R$ 80,00, mas é algo que pode facilmente ser feito sem guia, especialmente se você vai em um grupo de amigos.
Na frente da Casa Swell há um lugar pra comprar cerveja barata. Por R$ 3,50 era possível comprar uma lata de skol, o que é um achado na Ilha (preços médios são pelo menos o dobro disso). Há também, ali próximo, um mercado para se abastecer de coisas para cozinhar. Enfim, as alternativas de economia são muito boas nesse hostel.
Quanto à estrutura do Hostel, também fiquei bastante satisfeito. Um pequeno incidente (causado por mim mesmo e meu esquecimento) me fez achar que eu tinha sido furtado. Prontamente eles conseguiram acessar todas as câmeras de segurança, deixando claro que o lugar é seguro (como a ilha de modo geral).
Taxas e tickets
Alguns custos são impossíveis de escapar. A taxa de permanência na ilha é de aproximadamente R$ 70,00 por dia. Além disso, a maioria dos passeios legais implicam entrar no parque nacional. E para ingressar é necessário pagar um bilhete de cerca de R$ 100,00 (que vale por dez dias).
Passeios
O famoso “ilha tour” é, na minha opinião, um tanto dispensável. Não me acrescentou nada na viagem e eu poderia ter feito o mesmo trajeto com transporte público por uma fração ínfima do preço. O nosso roteiro foi: Sancho (praia e mirante); Leão; Sueste; Baía dos tubarões; Cacimba do Padre; e Mirante do Boldró. Todos estes lugares são de fácil acesso com o sistema de ônibus da Ilha, que custa R$ 5,00 (contra os R$ 150,00 do tour) e você ainda tem a vantagem de ficar o tempo que achar necessário em cada lugar.
O tour não é exatamente “corrido”. Acho que fiquei o tempo que queria em cada canto. Mas também há que se considerar que o mar não estava dos melhores, o que diminuiu os atrativos pra mim. Ou seja, talvez em condições ideais o passeio fosse um tanto corrido, como já vi alguns turistas reclamarem.
Por outro lado, entenda bem, eu gosto bastante de tours guiados. Acho que eles te enriquecem culturalmente e te ajudam a entender o que está rolando no lugar. Mas os guias que eu encontrei não eram dos melhores (e aparentemente, conversando com outros colegas, isso é bem comum). Se você quer economizar, saiba que não estará perdendo muito fazendo as coisas por si.
Uma das experiências mais fantásticas que tive na ilha foi ver o nascer do sol. Alguns pontos são especiais pra isso: A capela de São Pedro foi minha escolhida. Mas também ouvi relatos legais sobre o mirante dos golfinhos, já que os cardumes saltam por lá no nascer do sol.
Quanto ao por do sol, peguei dois bastante bons (nos outros dias, os “Eclipses nuviais” atrapalharam um pouco): Mirante do Boldró e Forte de Nossa Senhora dos Remédios. Também ouvi bons relatos do bar do meio (mas ficar por lá pode ser um tanto caro, por conta do bar).
Leve snorkel e pé de pato na mala e você economizará uns trocados com a locação. Há diversos passeios que te permitem fazer mergulho de snorquel, e a vida marinha lá é realmente linda.
Contas feitas
Na verdade, as pessoas dizem que o ideal seria ficar 15 dias em Noronha (e eu concordo com isso). Mas, enfrentando a realidade, se sua conta bancária não é tão gorda, isso pode ser meio proibitivo. Eu recomendaria uma estadia confortável de 5 dias por lá (leia-se, sem pressa, relaxando e curtindo). Um plano “barato” de visita à ilha seria:
- Dia 1 – Nascer do sol na baía dos golfinhos, Sancho e por do sol no Forte dos Remédios
- Dia 2 – Leão, Sueste, Morro de fora e por do sol no bar do meio
- Dia 3 – Capela, Ponta do Air France, Buraco da Raquel
- Dia 4 – Praia dos americanos e por do sol no Boldró
- Dia 5 – Cacimba do padre e Baia dos Porcos
E isso pode ser combinado com as palestras do projeto Tamar, o forró do bar do meio, e as trilhas curtas que não precisam de guia.
Fazendo isso você vai gastar apenas o dinheiro do busão (uns R$ 15,00 por dia); entrada do parque nacional, taxa de permanência e hospedagem. Estamos falando de cerca de R$ 300,00 por dia, ou R$ 1.500,00 no total.
Extravagâncias
Claro que a viagem pode ficar gradativamente mais cara conforme você recorra aos “luxos” de Noronha. Um bom mergulho de cilindro vai te custar uns R$580,00. As trilhas especiais, com auxílio de guia, custarão cerca de R$ 100 a R$ 200,00 por dia. São coisas que, com certeza, vão enriquecer sua experiência. O passeio de barco ao redor da ilha custa R$ 180,00. Mas tenho certeza que seu espírito já vai voltar alegre se fizer as coisas “baratas” de lá.
Quando ir
Ao que apurei, a melhor época do ano pra ir começa em setembro e vai até o começo do ano, quando o clima fica mais tranquilo e com menos ondas (isso é primordial pra melhorar a qualidade dos mergulhos, de snorquel ou de cilindro). Nas outras épocas, a ilha fica ideal pra surfistas, por conta das ondas.
Passagens aéreas
Recentemente encontrei passagens aéreas de até R$ 1.000,00 partindo de São Paulo para Noronha. A partir de Recife, um bom preço é algo em torno de R$ 500,00. Gol e Azul voam diariamente pra lá, com vôos diretos de Natal e Recife.