A atemporalidade bahiana

Eu estava aqui pensando na ligação metafísica entre o Axé da Bahia e o Egito. Parece loucura, mas os verdadeiros connoisseurs do Pelô sabem do que eu estou falando. Pra vocês que são newbies, vou citar alguns exemplos:

Margareth Meneses: Faraó Divindade Nagô
https://www.youtube.com/watch?v=qfP1xlgCVOI

Timbalada: Sou Faraó
https://www.youtube.com/watch?v=cSu2pSSnbWM

Gera Samba: Dança do Ventre
https://www.youtube.com/watch?v=e5v7mcsFCzE

E enquanto filosofava sobre a universalidade da arte contemporânea baiana, encontrei nos Hieroglifos do templo de Luxor essa relíquia importantíssima para se entender as origens do Axé. Trata-se da primeira representação da Dança da Cordinha!

 

Repost: A Copa das Copas

Repost. Esse feito durante minhas viagens para acompanhar a Copa 2014

A Verdadeira Copa das Copas (12 de Junho de 2014)

Talvez nem a Nike tenha conseguido ser tão clichê, mas o fato é que tá rolando uma Copa do tamanho de um bonde aqui pros lados do Pelourinho. Ali no Terreiro de Jesus uma meia dúzia de desocupados resolveu ocupar o espaço com quatro carcaças de coco verde e rechear o miolo com um campo de futebol imaginário, com mais ginga que linhas divisórias.

Sei que é piegas e até um tanto Jeca, mas acabei ficando emocionado com a cena: Cada um dos times tinha mais idiomas diferentes que muitas sessões da ONU. Que eu consegui identificar, tinha alemão, argentino, mexicano, holandês, esloveno e, óbvio, os mendigos do Pelô, donos do campo e da bola.

Claramente ninguém ali se conhecia até pouco mais de meia hora. A coisa simplesmente aconteceu: Algum gringo mais abusado fez uma mímica pedindo pra jogar e pouco tempo depois já tínhamos essa seleção do mundo. Um monte de gente que antes só olhava, invejando os peloteiros, largou de vergonha e resolver gritar “próximo”, ou qualquer outra tradução que possa existir, mesmo que na linguagem dos sinais.

A mímica, aliás, era a coisa mais engraçada do jogo. Como ninguém ali fazia ideia do que o outro estava falando, a cada jogada polêmica era um festival de gritos incompreensíveis e muita gesticulação para dizer: Quem fizer, leva; Cinco jogadores de cada lado; Time A sem camisa, time B com camisa; Foi Pênalti! Não, foi fora da área (?!?!). O lance mais estranho foi quando eles ficaram uns cinco minutos discutindo se o goleiro espalmou por cima do travessão ou frangou vergonhosamente (lembrando que não existe, para olhos normais, nenhum travessão).

Mas no fim, tudo funcionava muito bem. A linguagem dos campinhos de improviso é mundial, não precisa passar na TV para compreender. É tudo no instinto de boleiro que mora em cada canto do planeta, e não só nas nossas vielas, como arrogantemente a gente vive pensando.

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Balé folclórico da Bahia

 

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Praia de Itapoã

 

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Pelourinho em jogo da Copa

 

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Pelourinho

 

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Farol da Barra