Todos sabem que a grama do vizinho é sempre mais verde. Mas parece que o verde aqui é um tanto mais vivo, e não estou falando dessa mania bizarra de colocar abacate em qualquer coisa que se coma. Santiago, ou ao menos as regiões que visitei, tem um número muito razoável de parques públicos, áreas de lazer, ciclovias e áreas verdes em geral. Uma dor de cotovelo que não é a primeira vez que tenho, mas que parece dar pontadas mais fortes quando vem de um vizinho tão pobre e latino-americano quanto nós.
É tão claro que é possível ter uma forma diferente de viver a cidade: Há toda uma grandeza de desenvolvimento (humano) quando é natural que as crianças possam correr ao lado de crianças desconhecidas nas praças ao invés de ficarem trancafiadas em condomínios fechados. E não falo de uma questão de “segurança pública”. Esse tema parece ser tão sensível aqui quanto é em São Paulo. Mas sim de ter espaços propícios ao convívio espalhados pela cidade.
Em Santiago, margeia o principal rio da cidade (Mapucho) uma espécie de parque linear contínuo (que na verdade são muitos parques diferentes conurbados). Ao longo de todos estes parques, que cortam alguns bairros da cidade, trabalhadores fazem suas pausas de descanso, pais levam seus filhos e cachorros a passear, atletas correm ou andam de bicicleta e casais (muitos casais… quanto amor…) rolam na grama esbanjando calor latino. E esta faixa verde é apenas uma das muitas praças que vi espalhadas pela capital chilena, todas igualmente convidativas.
Isso faz as pessoas mais felizes? Realmente não sei. Todo mundo me diz que as pessoas de Santiago são mal humoradas (ouvi isso de locais, estrangeiros radicados aqui e turistas como eu). Senti um pouco isso também, na verdade. Mas não vejo como sair uma pessoa pior depois de uma caminhada vespertina ao redor de uma fonte. E não consigo achar desnecessário esse espaço de convívio, nem que seja para comer cachorro quente com abacate.
















































































