Pequenas descobertas

Lembram que há pouco menos de um ano eu decidi aprender a andar de bicicleta, entre outros motivos, pra ter um pouco mais de liberdade nas minhas viagens? Pois bem, se já não tivesse sido compensado o esforço nas viagens anteriores, nessa, só por hoje, já teria valido a pena.

Já meio que com saudades de casa (sempre bate no fim de qualquer viagem) e sem muito saco pra programas turísticos padrões, passei a manhã lendo uns livros jurídicos no hotel (caras… eu realmente gosto de direito). À tarde, aluguei uma bike e resolvi dar uma volta meio sem rumo, pra matar o tempo. No meio do caminho, começou um temporal e eu tive que me abrigar no primeiro lugar que encontrei, um parque um bocado longe de onde estou hospedado.

Passada a chuva, em vez de retomar a pedalada, resolvi explorar um pouco o parque que o acaso tinha me dado de presente. Sem saber muito bem o que esperar, comecei a subir por uma trilha. E a trilha continuou. Continuou. Continuou. Sempre em subida. Quando dei por mim, olhei pra baixo e a cidade já estava há uma distância grande, e começava a parecer pequena pros olhos.

Descobri, só depois, que é um pico de cerca de 400m de altura, um dos maiores das bandas de cá, e que no parque existem centenas de estátuas budistas cravadas na pedra (infelizmente… não tive tempo de chegar nessa parte do parque…). Mas a vista lá de cima era tão fantástica que espanta que o lugar não aparece em praticamente nenhum guia turístico. E, talvez por isso… pasmem… quase não tinha chinês lá.

Os barqueiros

Guilin, cidade na província de Guangxi, é cortada pelo rio Li, o maior rio da China. Um dos principais pontos turísticos da região é o trajeto de barco de Guilin à pequena cidade de Yangshuo que, com seus pouco mais de 200 mil habitantes, recebe anualmente mais de 20 milhões de turistas (em sua maioria chineses).

O trajeto é feito em dois tipos de barco. Uns catamarãs mais ajeitados e, principalmente, os barcos de bambu, que comportam 2 ou 4 passageiros. Não que as montanhas não sejam o bastante para os olhos, mas tenho certeza que as montanhas também olham admiradas pros olhos dos barqueiros e barqueiras.

Cabeleira

Entre as curiosidades de Guilin estão as minorias que habitam as pequenas cidades no seu entorno. Um delas são os Yao, um grupo que tem entre as peculiaridades o fato de as mulheres nunca cortarem os cabelos. Por isso, a média de cumprimento da cabeleira da mulherada é de pouco mais de 1,5m, todos pretos independentemente da idade, graças a um Shampu feito à base de resíduos de arroz.  Aliás, elas estão predominantemente concentradas na região dos arrozais de Londgi.

Outra curiosidade dessa tribo é que a forma das mulheres demonstrarem interesse em um homem é beliscando a bunda do pretendente. Enquanto isso, o homem que quiser conquistar uma das donas das vastas cabeleiras terá que saber fazer uma inesquecível… massagem no pé. O pé, aliás, é uma tara dessa tribo. Quanto maior o pé, mais atraente a garota, já que isso significa que ela terá mais habilidade subindo e descendo as montanhas do lugar.

A coluna do dragão

As fazendas de arroz próximas a Guilin também são chamadas de “A coluna do dragão”, porque quando estão cheias de água, criando um reflexo do céu entre as plantas, lembram as escamas de um dragão. Não tive a sorte de pegar a cheia dos campos, que só acontece uma vez por ano. Mas mesmo assim, verde, é um lugar impressionantemente bonito.