A atemporalidade bahiana

Eu estava aqui pensando na ligação metafísica entre o Axé da Bahia e o Egito. Parece loucura, mas os verdadeiros connoisseurs do Pelô sabem do que eu estou falando. Pra vocês que são newbies, vou citar alguns exemplos:

Margareth Meneses: Faraó Divindade Nagô
https://www.youtube.com/watch?v=qfP1xlgCVOI

Timbalada: Sou Faraó
https://www.youtube.com/watch?v=cSu2pSSnbWM

Gera Samba: Dança do Ventre
https://www.youtube.com/watch?v=e5v7mcsFCzE

E enquanto filosofava sobre a universalidade da arte contemporânea baiana, encontrei nos Hieroglifos do templo de Luxor essa relíquia importantíssima para se entender as origens do Axé. Trata-se da primeira representação da Dança da Cordinha!

 

Encontrando um hobby

Por mais que se ame o que se faz “remuneradamente”, acho que todo mundo precisa de um hobby, algo que o faça ser mais que o seu trabalho, que sua vida civil. Tenho alguns, e um deles é fotografar. Comecei a fotografar graças a um estímulo da Camilla. Uma vez, não sei se quando descrevia alguma cena minimalista ou quando comentava das coisas lindas que via nas fotografias de alguns amigos, ela disse que eu tinha que pensar nisso com carinho, que eu sabia ver a beleza das coisas e que conseguiria transformar aquilo em boas imagens. Tomei aquilo como um estímulo e comprei minha primeira câmera mais ajeitadinha.

Hoje fotografar é como uma terapia, uma forma de relaxamento. É uma oportunidade que eu tenho de introspecção, de me desligar das outras coisas da vida e dedicar a algo que é “um fim em si mesmo”. Talvez por isso normalmente saio pra fotografar sozinho e mesmo acompanhado não tenho tanto prazer em fotografar como quando estou rodando por aí só eu e minha câmera. Também por isso não sei se viajo porque quero fotografar ou se fotografo porque quero viajar.

Por conta disso, nunca tive grandes pretensões com minha técnica. Uso recursos que pra alguns fotógrafos mais experientes são até meio bregas, batidos, mas isso não me importa muito. Não é uma arte, é um exercício. No fundo, é tudo questão de contemplar a beleza das coisas comuns, analisar e divagar sobre o a universalidade e a singularidade das coisas. Também sem grandes preocupações filosóficas: é só um relaxamento mesmo. Poesia barata.

Não recomendo a fotografia pra todos. Tenho certeza que muitos não conseguiriam relaxar fazendo o que eu faço: ficar parado por 20, 30 minutos, esperando um pássaro passar perto do sol, ou um casal trocar um olhar mais sincero… Mas acho, de verdade, que todo mundo precisa de algo para escapar. Não que o corriqueiro seja ruim: a vida só vale a pena quando o corriqueiro é bom. Mas a gente não pode se resumir ao dia-a-dia. Tricoteiro, cozinheiro, leitor, cinéfilo… o importante é que a gente merece ser mais do que se “é”.

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