Listas

Três experiências que curti em Barcelona

Caminhar aleatoriamente pelas ruas do bairro gótico, suas vielas estreitas e a vida universitária do lugar. À noite a atmosfera é ainda mais interessante, apesar de um pouco sombria.

Pedalar por Barceloneta, alcançando o mirante que existe atrás do hotel Windsor. É fácil alugar uma bicicleta por ali, apesar de ser um pouco mais caro que em outros lugares da cidade.

Tomar uma sangria no Parc Guell. Sentar-se nas muretas do parque observando a cidade ali de cima, ornando com as formas e as texturas de Gaudi.

Três bares e restaurantes

http://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g187497-d6920580-Reviews-Kaelderkold-Barcelona_Catalonia.html

http://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g187497-d4453379-Reviews-AQistoi-Barcelona_Catalonia.html

http://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g187497-d2492461-Reviews-Betlem_Miscel_lania_Gastronomica-Barcelona_Catalonia.html

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Agora eu era espanhol

Quando criança, a gente quer ser tanta coisa maluca. Pirata, jogador de futebol, bailarina, bombeiro… Uma das minhas foi querer ser paleontólogo e estudar dinossauros. Por algum tempo levei isso bem a sério (dois 8 ao 10 anos, talvez). Mas antes um pouco veio uma maluquice ainda mais sem explicação: eu queria ser espanhol. E essa paixão foi bastante duradoura, tanto que nem sei porque demorei tanto tempo pra vir parar nessas terras.

Aprendi meia dúzia de palavras na língua deles e sonhava em ter não um cachorro, mas um “perro”. Cresci com ídolos ibéricos: Adorava o goleiro Zubizarreta; era fã do Barcelona muito antes de ser essa modinha toda; e, veja só, ouvia “Locomia”, que excursionou pelo Brasil quando eu tinha por volta dos 6 anos de idade, se apresentando em todos os programas do Gugu. Gugu, aliás, que apresentava um programa de gincanas entre as comunidades imigrantes de São Paulo no qual eu invariavelmente torcia… pra Espanha.

O problema dessas viagens relâmpago (5 dias, pro meu padrão, é muito pouco até em Miracema do Norte) é que não temos muito tempo de interagir com os locais. Queria ter tido tempo de sentar com um daqueles catalães e contar dessas minhas pirações de guri. Dizer como a cultura deles atravessou o atlântico pra atingir um garoto sem qualquer vínculo com a colônia espanhola. Queria saber se eles têm vergonha dos leques da banda que eu gostava, assim como nós até hoje nos desculpamos por ter exportado o Carrapixo.

Curioso isso da globalização nas crianças. A cultura Pop é cada vez mais universal, especialmente pelo barateamento na transmissão das informações. Não sei se é possível fazer esse tipo de identificação regional com os grandes ídolos, já que parece que eles andam cada vez mais parecidos (Michel Teló só é “música sertaneja” porque vocês querem chamar assim. Ele tem uma sonoridade muito mais parecida com a música americana que com Chitãozinho e Xororó). Será que ainda haverá espaço pro meu filho querer ser espanhol, russo ou australiano?

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A zona de conforto é onde a mágica acontece

Durante o vôo assisti um filme chamado “Albergue Espanhol”, em que um parisiense de vinte e poucos anos, pra conseguir um cargo na burocracia francesa, se inscreve num programa de intercâmbio em Barcelona, pra estudar a crise econômica espanhola. O filme, que fala sobre 15 mil conflitos sem efetivamente se centrar em nenhum, acabou me chegando no tempo em que eu discuto meu desapego pelo conflito. Ou, em outras palavras, meu apego pela zona de conforto.

As pessoas tendem a falar da zona de conforto como algo ruim, para acomodados mas não vejo por esse lado. Pra mim, o conforto é um estado que estamos sempre procurando, um objetivo de curto, médio ou longo prazo. A zona de conforto é confortável, e as pessoas costumam ridicularizá-la com base numa querência desnecessária por desafios.

Não que desafios não sejam bons, pelo contrário. Só não acho que eles sejam um fim em si mesmo. Logo, se não temos desafios ou conflitos, não necessariamente estamos em estado vegetativo. Podemos, pelo contrário, estar vivendo os melhores anos das nossas vidas. E falo isso por experiência própria, dos últimos 2 ou 3 anos que passei. É preciso uma noite tranquila para sonhar os melhores sonhos.

E nem acho que faça sentido em falar que as pessoas ficam acomodadas na zona de conforto. Isso, pra mim, é coisa de quem não tem personalidade. Um porco que vive e se vive tá sempre chafurdando na lama das possibilidades, e isso não depende de desafios de carreira, acadêmicos ou amorosos. A gente cresce sem nem perceber, quanto mais se esforçar.

Mas chega uma hora que já não estamos mais confortáveis. O passado vira uma roupa que não nos serve mais, quer porque nosso corpo mudou (engordamos, emagrecemos, mudamos, enfim) ou porque as roupas, por qualquer motivo, se rasgam. E saber viver é saber levar dentro e fora da zona de conforto. Saber buscá-la de volta. Bater perna na C&A da Vida, experimentando um monte de coisas até que algo nos sirva.

E assim começa Barcelona. Vim pra cá (e pra toda essa viagem) fazer um curso de corte e costura. Aprender a desenhar novas roupas, que sejam diferentes das de antes mas igualmente confortáveis. Uma toga? Uma Beca? Um esplendor? Uma bermuda? Tomar fôlego pra reabrir os livros, os olhos e a mente. E reencontrar minha zona de conforto.

La BarcelonetaCatedral de Barcelona Parque Guell Parque Guell Parque Guell Parque Guell Parque Guell Tablao Flamenco El Cordobés Parque Guell Catedral de Barcelona