Listas: 10 cidades que mais gostei de conhecer

Sempre fiquei um tanto receoso de plastificar assim uma lista. Um pouco por sempre mudar de opinião. Um pouco por achar meio presunçoso querer montar rankings quando se conhece um pedaço tão pequeno do mundo.

Mas depois de muito pensar (e de viajar também), cheguei à conclusão que listas não se pretendem definitivas, mas são um exercício pessoal tão gostoso: um jeito de organizar o passado nas ideias e as ideias no passado. Além disso, acredito que já posso me considerar um viajante experiente sem que isso soe pedante…

Acho que já dá pra começar a compartilhar um pouco mais minha opinião comparativa entre elas, sem medo de parecer ridículo. No fundo, o que espero é que essa lista inspire algum de vocês a visitar esse ou aquele destino. Ou até a montar sua própria lista e compartilhar comigo.

10. Amsterdam

O povo mais legal que conheço na Europa é o Holandês. Gente tranquila, educada, alegre, liberal, culta… Para além dos preconceitos e do turismo adolescente, gosto bastante das vielas do Red Light, além dos inúmeros museus e bons parques de lá.

DSC02476

9. Berlim

Uma cidade jovem, artística mas, principalmente, histórica. Ao contrário do resto da Europa, em que no mais das vezes a história é longínqua, milenar, Berlim guarda uma história próxima que dialoga muito com nossa vida: A segunda guerra mundial, a guerra fria, a nova Europa…

1025603_544018745634091_506869321_o

8. Havana

Não me marcou apenas por ser a capital comunista das Américas. Mas principalmente pela musicalidade e o sorriso aberto dos cubanos. A arquitetura e os muitos “jeitinhos” que os cubanos arrumam pra se virar também brilham.

1518329_668897853146179_1328960801936018548_o

7. Yogyakarta

Jogya foi a maior surpresa da minha viagem à Indonésia (o País que mais gostei de conhecer até hoje). O turismo por ali é relativamente pouco, perto das cidades mais famosas da Indonésia. Talvez por isso o povo seja especialmente provinciano, alegre e receptivo. Mas, óbvio, o que realmente impressiona ali são os dois gigantescos monumentos: Borobudur e Prambanam.

DSC02808

6. Los Roques

Acho difícil encontrar no mundo praias mais bonitas que as do Caribe. Mas o preço disso, muitas vezes, é um turismo maluco, de resorts e cruzeiros, que tá longe de ser o que curto em férias. Mas Los Roques, por ficar na problemática Venezuela, e ainda assim não ser um destino tão turístico quanto “Isla Margarita”, consegue reunir toda a poesia azul do mar de lá com a tranquilidade de uma ilha deserta. É o mais perto que cheguei do paraíso, com certeza.

884555_517257791643520_788543973_o

5. Seul

Muito “Jeong” envolvido.  Eles são simpáticos e prestativos como os japoneses, mas muito mais carinhosos e abertos a boas conversas. Valorizam bastante a cultura própria, apesar de estarem abertos também ao que vem de fora. Têm uma comida fantástica e prédios impressionantemente bonitos, tanto modernos quanto tradicionais.

DSC08761

4. Sidney

Ainda estou me perguntando qual a cidade mais bonita do mundo: Sidney ou Rio. Se os cariocas têm as montanhas, Sidney tem a beleza de um país desenvolvido, que cuida da qualidade ambiental das praias e do verde espalhado por todo canto. A costa recortada, os passeios de barco, os pubs…

DSC03152-HDR

3. Londres

O British, o West End e os fantásticos castelos… Acho que Londres é a primeira cidade da lista (parelho com Sidney) das cidades nas quais eu moraria se um dia tivesse que sair do Brasil. Aprendi lá a verdade de uma frase: “Quando um homem se cansa de Londres, ele está cansado da vida; porque há em Londres tudo que a vida pode trazer”.

278617_225892094113426_4140564_o

2. Istambul

Istambul me recebeu com a caótica Instikal às 2 da manhã, me conquistou com o por do sol no Bósforo e se despediu com a impressionante beleza de suas igrejas e mesquitas (principalmente Hagia Sofia). A culinária de lá talvez seja a melhor que já experimentei.

DSC03137

1. Tókio

Não tive nenhuma dúvida pra escolher a primeira cidade dessa lista… Tão exótica quanto moderna. Tão conservadora quanto maluca. Tókio diverte e assusta com os mesmos elementos. O silêncio absoluto no metrô, quebrado pela música infantil do sistema oficial de som… As imensas lojas de departamento com tudo o que você não imaginava que existe… As fantasias dos jovens, a delicadeza de plantas e flores…

478919_470479122988054_511819844_o

Inveja

Abro essas páginas azuis entre um e outro gole de café e invariavelmente encontro alguma certeza. Alguma segurança categórica sobre política, o último filme do Woody, os rumos do carnaval de São Paulo ou o meio campo do Corinthians. Muitos dos meus colegas cravam revisões fundamentadas do passado, e profecias consistentes sobre o futuro. Tudo tão sem medo. Como eu invejo essas coragens….

Faz um ano que vi “Últimas Conversas” do Eduardo Coutinho. Um filme que fala sobre ter pelos seus 16 anos, aquela coisa estranha que já não é infância, mas que a vida mostra ser a mais imatura das fases da vida. E pelo fim do filme eu me vi em um garoto. Eu, que aos 16 sentava com aquela pose, argumentava com aquela classe, gesticulava com aquelas mãos e tinha as mais genuínas garantias. Sobre tudo. Hoje, acho que discordo de quase tudo o que aquele Judson dizia. E tenho menos vergonha dele do que ele teria de mim.

Porque isso não é uma crítica à arrogância. É um elogio à coragem. À coragem de quem, depois dos 30, ainda tem a firmeza de defender uma opinião, qualquer opinião. Hoje, que claramente tenho mais experiência, mais informação, mais malícia e, principalmente, mais espaço pra expor minhas ideias… já me faltam certezas. Tudo é um imenso talvez, recheado dessa insegurança em compartilhar meus quiçás.

Aprendi a gostar da ostentação alheia (Gostar da própria é bastante fácil. Difícil é ver valor na dos outros). Essa coisa de mostrar pro mundo as coisas de que gostamos e as qualidades que gastamos tempo cultivando. O maluco que quer mostrar o carro do ano que ele trabalhou muito pra comprar. A menina que tira selfie no espelho da balada pra mostrar como ela se vê linda. A foto da capa da tese de douturado… A gente quer (e tem direito) de celebrar nossas conquistas. E acho especialmente empolgante acompanhar aqueles que conquistaram uma certeza, qualquer certeza, esse tesouro mais difícil que a tese, o carro e as formas.

 DSC02541DSC02525DSC02489DSC02485DSC02456DSC02448DSC02431DSC02427DSC02416DSC02401DSC02390DSC02381DSC02343

Uma história de sexo e missoshiro

Ontem um conhecido foi traído pelo algoritmo do Facebook, que mostrou pra timeline de todos os amigos dele que o rapaz tinha curtido o Xicosaniano Café Photo. Por conta da profissão dele, isso foi uma gafe um pouco mais grave, o que me fez ficar pensando em todo o moralismo que circula nossa relação pública com o sexo.

Talvez um dos pontos turísticos mais famosos de Amsterdan seja a Casa Rosso, no miolo do Red Light District. Uma cidade que se vende liberal e que não tem nenhum pudor de se assumir como um destino de turismo sexual. Um bairro onde praticamente não se vê holandeses, mas sim uma multidão de turistas que vão além do adolescente britânico e do moleque brasileiro. Gostando ou não, todo mundo acaba passando por lá.

A Casa Rosso é um teatro de shows de sexo ao vivo. Todas as noites se formam filas gigantescas na  porta pra ver… sexo ao vivo (sem nenhuma censura). Nem por isso a casa deixa de estar na lista do próprio governo holandês de lugares imperdíveis da cidade. Pelo que li, eles inclusive já tentaram criar uma sessão de matinê, mais erótica e menos explícita, mas a bilheteria acabou não vingando.

E essa piração atrai gente muito fora do óbvio. Quando fui conhecer a casa, acabei sentando ao lado de um casal de sexagenários japoneses (desses que não sabem falar um “A” em inglês). Eles assistiam tudo com a mesma estupefação com que entram no Parlamento Inglês ou na catedral de Notre Dame: “óoóóóóó”.

Acontece que ao contrário dos outros lugares, ali a regra é clara e bem cumprida: “No Photos!”. Não se pode arriscar fazer o que se faz nas igrejas e museus, sair disparando o obturador e só parar quando o segurança chega. Por isso, os Dityan e a Batyan, que tentaram “meter o louco”, acabaram sendo expulsos do teatro. A senhorinha sacou um “Game Boy” de última geração da bolsa e tentou filmar o amor alheio.

Parecendo não entender o que estava acontecendo, foram carregados pra fora da casa por dois brucutus que tinham o dobro da idade dele. E eu, que não tava vendo muita graça no que rolava no palco, ganhei a noite rindo deles.

Enfim, como diz aquela música do Chico, “Façamos, vamos amar”.

300178_237503752952260_6216945_n 210930_239338959435406_1938121_o 290353_239341192768516_2207845_o 228937_236960396339929_2067980_n 301045_237504352952200_6904398_n