Ma che belo

Toda viagem eu entro em alguma roubada. Teve aquela furada de alugar um carro na Inglaterra, a mala que devia ir pra Lisboa e foi parar na Jamaica, o carregador da câmera que eu esqueci de levar no Chile… mas essa daqui pelo menos foi “bonita”. Eu estou hospedado na casa de um garoto propaganda de “Shop Tour” aqui na Itália. Um desses caras de 1,50m, mas que é tão bonitão que ninguém nota que é um tampinha. Narigudo, faz eu achar que até me faria bem se o meu nariz fosse um pouco maior…

Pois bem, saí à noite para jantar numa cantina aqui do lado e aí começou meu terror. Esqueci a chave na fechadura, do lado de dentro de casa, e era uma daquelas fechaduras que não se consegue abrir por fora sem a chave. Percebi como que de imediato, mas liguei pro tal do antitrião, que disse que chegaria em uma hora. Nesse tempo, fui numa cantina de bairro aqui do lado e vi a menina mais bonita que já encontrei: a garçonete da cantina. Ela perguntava o que eu queria pedir e eu só conseguia pensar em namoro, casamento… a moça era hipnotizante. Gaguejei alguma coisa que parecia “Carbonara” e sinceramente nem lembro o gosto da comida…

Voltei pra casa e o ator já estava lá, com a namorada (a menina mais bonita que já encontrei), tentando abrir a porta. Acontece que, como eu deixei a chave na fechadura, não tinha como enfiar a chave no buraco. Sem condições de pular a janela (quinto andar, vizinho viajando), tivemos que chamar o chaveiro da madrugada, que chegou depois de uma hora mais ou menos. Um camarada loiro, minha altura, completamente tatuado e musculoso, que me fazia sentir um cara BEM fora do peso. Ficamos os três por cerca de quatro horas tentando abrir a porta (um modelo antigo, possivelmente construído na dinastia de Constantino), sem sucesso. Como todos os vizinhos já tinham vindo reclamar do barulho (uns nonos e nonas, desses de comercial de Peru e Chester, bochechas rosadas, cabelos branquinhos… ridiculamente lindos) desistimos e resolvemos recomeçar na manhã seguinte.

O anfitrião foi pra casa da namorada, eu, sem minhas malas nem carregador de celular, fui parar num hotel a poucas quadras dali. Mas, CÁSPITA, é semana santa. Todos os hotéis de Roma estão lotados… Sem internet pra um booking de última hora, fiquei perambulando pelas ruas frias da madrugada romana até o metrô abrir (5 da matina). Fiquei batendo e voltando de Itaquera à Barra Funda (ler com sotaque da Mooca) até o horário combinado para nos reencontrar (8 da manhã). Mais duas horas tentando sem sucesso abrir a porta e… nada. O chaveiro chamou seu superior.

Chegou um sujeito que parecia o George Clooney. Cabelo raspado, grisalho, olhos bastante claros, barba farta e bem aparada, que me fez ter um tanto de vergonha da minha cara pelada de índio. Mais duas horas e, finalmente, bingo: porta praticamente descomposta (como minha cara de nariz pequeno, gorda e pelada), conseguimos entrar na casa.

Normalmente me acho um cara bem na média, mesmo nas viagens. No Chile, por exemplo, tava até me achando o rei do pedaço. Mas, cara, aqui na Itália dá até desgosto. É impressionante como todos: homens, mulheres, crianças, ricos, pobres… a galera é toda bonitona. Taí uma boa razão pro país continuar em crise: eles tem que globalizar esses genes, espalhando essa italianada pelo mundo.

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