Está carregada. Pronta pra usar.

Em Morelia, fiz amizade com a família do Sr. Feliciano, que toca o Hostel em que fiquei hospedado. Enquanto comíamos um Chilaquiles preparados por dona Margarida, sua esposa, ficamos algum tempo falando sobre a vida no México, no Brasil, sobre os filhos dele e a forma de se fazer uma caipirinha.

Quando nos despedimos, ao melhor estilo mexicano o sr. Feliciano me entregou um presente dizendo: Está carregada, pronta pra usar. Uma pequena garrafa de Mezcal que guardei para um momento mais especial.

Pois bem, dias depois fui em busca do meu por de sol da Cidade do México. Um casal de colombianos que conheci no Panamá me disse que o melhor lugar pra isso seria as pirâmides de Teotihuacán, umas ruínas pré-Astecas. O lugar foi escolhido pelos antigos por ser uma espécie de confluência mística, cercada por vulcões e toda sorte de energias divinas. E, de fato, tem-se um belíssimo por de sol por lá, mas geograficamente não se pode ver as pirâmides.

Um pouco desapontado, resolvi que aquele era o momento para abrir minha garrafa de Mezcal. Aos poucos, clareando as ideias, fui percebendo que meu sol podia brilhar ali mesmo, na garrafa de Jimador, e assim fiquei (um tanto borracho) olhando o reflexo do por do sol na garrafa até que um guarda viesse me expulsar do lugar.