Mais um repost. Dessa vez da Viagem a Portugal, em setembro 2014.
Um auto-elogio (23 de Setembro de 2014)
Quando fiquei solteiro há uns meses atrás entrei numa onda auto-destrutiva (ou melhor, auto-reconstrutiva) de querer identificar meus defeitos. Tentar entender o que eu tinha de errado e trabalhar isso para uma vida mais leve e com menos complicações. Foi (está sendo) um processo lento, mas que foi abalado por uma frase confusa de uma guria: “Eu gosto dos seus defeitos. Mais do que das suas qualidades. Aliás, você tem alguma qualidade?”
A pergunta me deixou em parafuso. Principalmente quando eu comecei a querer me comparar com os outros. Afinal, como já disse aqui, sou cercado de pessoas fantásticas que, por sua vez, também se rodeiam de outros seres excepcionais. Gente que à distância parece o espelho do Antagonista do “Poema em Linha Reta”. Gente que fala 7 idiomas. Gente que fez carreira acadêmica na melhor universidade das galáxias. Gente que, ao contrário de mim, não largou mão do sonho da magistratura pra viver de samba. Gente que é um rico/renomado advogado em algum grande escritório…
Perto dos que me cercam, eu não me acho lá muito inteligente. Meus talentos com fotografia não vão além daquela mediocridade que um dia eu quis pra mim. Quando escrevo, raramente saio do lugar comum. Não sou atlético, e na verdade mal sei andar de bicicleta. Não tenho grandes dons artísticos ou culinários. Não toco nenhum instrumento… Enfim, sou a antítese das qualidades. Mas ainda assim, gosto tanto de mim que no mais das vezes só me dedico elogios (e talvez esse seja um defeito… difícil de corrigir).
Mas aí um amigo ontem me mandou uma foto desses azulejos. Disse que os viu aqui em Lisboa em 2007 e queria saber que fim teriam levado. É uma pequena arte de rua, num beco desconhecido… Tomei a brincadeira dele como um desafio. Pesquisei na internet para saber se eles tinham alguma história especial; Andei aleatoriamente pelas ruas do Chiado em busca dos tais; Conversei com todo tipo de gente, mostrando a foto e arrancando alguns dedos de prosa com cada interlocutor (turistas, comerciantes, transeuntes, mendigos, vendedores de drogas e policiais). Até que encontrei o que procurava, na chamada “Rua do Crucifixo”.
Não me encantam mais as pessoas inteligentes (ou as atléticas, as ricas, as cultas, as viajadas, as faladoras, as ponderadas) que as pessoas curiosas e as que “vão atrás”. E essa qualidade, que sempre me trouxe fascínio nos outros é que eu sei que guardo em mim. E isso já me basta pra me colocar no caminho daquilo que quero ser.
—









