Há alguns dias, por provocação de uma pessoa querida, tenho pensado bastante nos muitos tipos de turista que existem. Nas imensas variações de viagens possíveis e na forma peculiar com que cada um de nós interage com a experiência de desatar os nós que nos prendem ao solo de nascimento. Ainda não tenho uma resposta consistente, mas já consigo identificar aquelas experiências que me provocam mais empatia, como as pessoas que viajam em busca de delicadeza. E nessa viagem conheci uma dessas.
A Patricia tem um blog de viagens e usa esse espaço como expressão dessa delicadeza no modo de ver as coisas ao seu redor. É explícito no seu jeito de escrever, como foi na longa conversa que tivemos a respeito da Grécia, a sua busca do cotidiano, do trivial. Mas, para encontrar essas pequeninices, é necessário mais que uma meia dúzia de dias. É preciso tempo, paciência e relaxamento. Do contrário, qualquer conclusão é afobada, é preconceito.
E essa busca de delicadeza implica sempre certa auto-descoberta. No fundo, é como se buscar no mundo. Encontrar a si próprio nas praças, cafés e calçadas das cidades de que se parte e chega. É se situar hipoteticamente no mundo, ou nos mundos, que a gente descobre no caminho (e descobrir que tudo na vida é hipótese). Se imaginar vivendo e se viver imaginando. Um trabalho a ser feito sem pressa e com muita disposição ao diálogo.
O sutil, muito das vezes, é uma projeção do que buscamos pra nós. É o que existe solto pelo mundo, pelas vivências e ocasiões, que só se enxerga nas situações de maré calma. Longe das filas de monumentos ou dos audio-guias de museus. Só se encontra em caminhadas aleatórias pelas ruas de um bairro residencial, ou na leitura despretenciosa de um livro em um banco qualquer. Talvez por isso, essas viagens se tornem um tanto uma aventura intra-si e não de circulação.
Enfim: Recomendo o blog dela tanto pra quem quer conhecer a Grécia quanto para quem quer só conhecer mais uma pessoa interessante.

































