O restaurante Ita

Vocês devem conhecer aquele texto do Antônio Prata, “Meio intelectual, meio de esquerda”, onde ele descreve um bar perfeito, na visão de um hipster (antes to termo hipster ser mainstream). Pois bem, um dos lugarzinhos de São Paulo que mais encarnam o espírito daquele copo sujo, mas numa versão de restaurante, é o Ita, aqui no centrão. Ali pelas bandas do Largo Paysandu, numa rua deserta, entre uma gráfica de santinhos e um estacionamento, o seu João construiu um dos impérios “descolados” da cidade.

Sendo franco, a comida nem é grande coisa. Mas ainda assim a atmosfera faz dele um dos lugares mais bacanudos de São Paulo. Presença constante nessas listas de “portinhas escondidas” da capital. Tudo pela simpatia do dono, seu João, e dos atendentes de uma forma geral. Ontem, depois de um bocado de tentativas, finalmente consegui comer o famoso bacalhau deles.

O Restaurante é um apinhado de banquinhos em volta de um balcão. Nada de conforto pra bunda, mas um espetáculo pros olhos e ouvidos. Dono de um acervo de pequenas piadas de encher uma enciclopédia, é impossível sair do restaurante sem receber do seu João pelo menos uma. Aliás, chamar o seu João de seu João, o Davi de Davi, ou qualquer outro funcionário pelo nome, parece ser uma questão de status ali no Ita. Os frequentadores todos parecem querer exibir pros outros essa “intimidade” toda com o lugar.

Os cartazes na parede, que parecem ter sido desenhados em 1953 (ano de inauguração do lugar), anunciam comida barata, em fartos PFs. Mas se nada da parede te agrada, eles não se fazem de rogados para montar algo ao seu gosto. Assim, simples, porque sabem que a simplicidade é que tempera a comida do lugar.

No final, a conta vem desse jeito da foto: anotada à lápis, na pedra do balcão. Mais uma das piadinhas inocentes que o Seu João tem prazer de contar.

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