No meu último dia na Grécia acabei dedicando umas horas a seguir as dicas de uma amiga viajante. Fui atrás de dois passeios um tanto mais fora do circuito, um deles no bairro de Exarchia. O bairro já era famoso, mas ganhou as manchetes em 2008, por ter sido o centro de uma série de protestos que tomaram conta de Athenas por conta do assassinato de um garoto pela polícia local.
É um bairro universitário, centro nevrálgico dos grupos de extrema esquerda da Grécia. As ruas são completamente cobertas de grafites e cartazes desses grupos, principalmente anarquistas, e o ambiente é um tanto hostil a quem não é do metiê. Eu mesmo, na noite em que fiquei perambulando pelas ruas de lá, passei por uma situação meio estranha.
A praça central do bairro tava lotada. Cerca de 200 pessoas espalhadas pela praça, mas um percentual maior concentrado em volta de uma fogueira no centro. Bêbados, cantavam e tocavam (mal e porcamente) violões. Uma meia dúzia de vendedores de drogas e um mercado consumidor imenso.
Quando me aproximei, um cachorro começou a me intimidar. Parecia ter sido mandado por um dos frequentadores da praça (sim, 200 pessoas lá, apenas pra mim ele latia). Somado aos olhares desconfortáveis, senti que eu (turista) não era muito bem quisto por ali. Fiquei pouco tempo e voltei pro apartamento. Deixei pra fazer as fotos no dia seguinte, com dia claro e ambiente menos hostil.
Curiosamente o bairro vive um processo de gentrificação. Essa cena convive com um número bem razoável de restaurantes e bares de alto padrão, e li que isso tem despertado algumas animosidades no bairro. Por outro lado, existem também alguns restaurantes bem peculiares por ali.
O bairro, no fundo, não é perigoso. Desde que saiba se comportar. Fica a dica pra quem for visitar Athenas.





